Ferramentas e Recursos para restauração da Alma

 

A Comunhão do Seu Sofrimento:

A Comunhão do Seu Sofrimento:  Brasil 2012

Diane Langberg  - www.dianelangberg.com 

 

Uma vez pesquisadores perguntaram pessoas avulsas quanto tempo, na média, alguém precisava para processar a perda de um ente querido.  A conclusão geral foi de duas semanas.  Esta resposta, com certeza, foi dada por aqueles que nunca enterraram um pai, cônjuge ou filho.  Tal resposta, com certeza, foi dada sem entender o sofrimento imenso experimentado tanto individualmente e corporativamente devido ao furacão na China ou Haiti, a crise de AIDS na África ou os genocídios em Bósnia e Ruanda.  Para aqueles que estavam lá, tais eventos tem virado seu mundo de cabeça pra baixo e continuará fazendo isto durante um período longo.

Uma das perguntas que estas perdas levantam para mim é – como Cristãos deveriam responder a tal sofrimento?  Antes de falar desta resposta, precisamos iniciar por nomear e contar verdadeiramente aquilo que aconteceu – estes eventos eram traumas.  E um trauma é indizível porque pela sua natureza horrível é tão estarrecedora que palavras são completamente inadequadas para comunicar o que aconteceu, não apenas externamente, mas internamente também.  A resposta humana natural àquilo que é indizível é tentar expulsar da mente consciente.  Aquilo que aconteceu, o que foi visto, é terrível demais para expressar em voz audível.  O resultado é uma tentativa guardar o trauma num lugar longe; de esquecer; de continuar como se nada tivesse acontecido.

O paradoxo é que para se recuperar destas atrocidades, precisa aprender a falar aquilo que não tem palavras.  O que parece tão terrível para segurar na mente durante algum tempo precisa ser lembrado e refletido.  Aquilo que não tem palavras precisa ser verbalizado.  O que não tem descrição precisa ser descrito.  Enquanto trabalham com pessoas que tem sobrevivido o trauma, encontrará esta tensão expressa várias vezes: a necessidade de esquecer ou enterrar e a necessidade de falar.  Observará esta dinâmica tanto em indivíduos como em grupos.  É o vai vem entre “prosseguir com nossas vidas normais” e o falar, processar, e reviver os eventos do trauma.  Isto existe não apenas para aqueles que aguentaram o trauma, mas também existe para aqueles que ouvem as vítimas. Atrocidades por definição são além da capacidade de suportar.  Ouvi-las repetidas vezes sobrecarrega também.  Da mesma forma que a vítima de trauma luta para encarar aquilo que não consegue suportar, aquele que escuta luta para permanecer conectado e presente.

Em contra partida desta tensão, tenho chegado a entender que o chamado de Deus para Seu povo é de encarar a vida como verdadeiramente é neste mundo caído.  Muitos têm experimentado a profundidade da depravação humana.  Nós como Cristãos não precisamos esquivar das revelações horrendas desta depravação.  Somos chamados a encarar a vida como verdadeiramente se apresenta neste mundo tenebroso.  Qualquer voz que damos a verdade de redenção tem que englobar a realidade de eventos como Ruanda ou o trafego do sexo em vez de ser baseado na negação que estes eventos ocorreram.  Nós que nos chamamos de Cristãos blasfemamos o nome de Cristo se fazemos de conta que o mal do genocídio, do estupro de pequenas crianças ou os eventos de um enorme terremoto, é menos que verdadeiramente são.  Qualquer redenção que falha em reconhecer um mal deste não é redenção de verdade.

Como aqueles que servem o povo, as igrejas e comunidades deste país, vocês, por meio do seu chamado, têm sido convidados a entrar na atrocidade no nome de Jesus Cristo.  Tal convite não é nada mais do que uma chamada para seguir nos passos do nosso Senhor, que entrou na atrocidade terrível deste mundo caído e aguentou aquilo que era indescritível.  Ele que fez isto em nosso favor nos chamou para fazer o mesmo para aqueles que estão sofrendo.  Ele veio num corpo humano para andar entre nós em nossa escuridão, nosso medo e nossas atrocidades.  Aquele que agora está à destra do Pai intercedendo ainda tem um corpo aqui na terra.  Nós somos aquele corpo de carne, ainda chamado por amor e obediência ao Pai para andar entre outros na sua escuridão, seus medos e atrocidades numa forma que explica o Pai aos outros.

Suspeito que a maioria de vocês lembra o dia em 2001 quando as Torres Gêmeas foram destruídas em Nova Iorque.  O mundo ao redor do globo olhou seus televisores em horror quando desmoronaram.  Existe valor para nós considerar aquelas equipes de resgate que foram para aquela cena de destruição para nos ajudar pensar a respeito da resposta Cristã ao trauma e sofrimento.  Foram pessoas que chegaram a uma cena de destruição e entraram nela.  Dia após dia trabalharam no lugar da morte, ciscando e separando as ruínas de um mundo que não existia mais, procurando por pessoas nos escombros.  Seu trabalho foi difícil, sombrio e perigoso.  Encararam o trauma repetidas vezes.  Nunca escaparam a realidade do mal. Seus olhos foram abertos e contemplaram horrores em proporções grandes demais para fazer de conta que não existia.  O trabalho que fizeram os marcará para o restante das suas vidas. Vai assombrar seu sono e tem mudado a forma com que pensaram sobre se mesmo, sua vida, sua fé e seu futuro.  Alguns morreram como resultado de inalar gás tóxico.  O que eles fazem parece em contraste extremo dos valores deste mundo.  Não tem um sucesso rápido nos escombros, não tem lucro material ou uma gratificação fácil.  Tristemente, nós que seguimos a Cristo, muitas vezes temos sido persuadidos a abraçar os valores do mundo.

Como o povo de Deus, nós temos sido chamados de muitas formas para servir como trabalhadores de resgate deste mundo.  Somos convidados para entrar na comunhão dos sofrimentos de Cristo.  Isto significa que somos chamados para entrar no lugar de escuridão e morte porque foi onde Cristo andou.  Ele abriu seu ministério público com as palavras lindas de Isaias 61 – “O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim, porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros. Para consolar todos os que andam tristes, para dar um manto de louvor em vez de espírito deprimido...”.  Amamos estes versículos porque trazem conforto, mas o que frequentemente falhamos em ver é que se formos segui-lo, significa que precisamos andar na pobreza, nos destroços, nas prisões, na escuridão, no luto e desespero.  Estes não são lugares onde desejamos entrar.  Estes são lugares da morte.  Na essência, você e eu, como as equipes de resgate, temos sido chamados para viver e trabalhar entre os túmulos.  Pense sobre isto por um pouco.  Suponha que eu me aproxime a você com uma sugestão para sua carreira e pergunte se gostaria de passar seus dias nas catacumbas de Roma, falando ao povo lá e ajudando-o.  É uma proposta irracional, não acha?  Mas não foi isto que as equipes de resgate fizeram nos escombros das Torres Gêmeas dia após dia?  E não é isto que Deus tem nos chamado a fazer?  Ele nos chamou para viver e servi-Lo neste escuro lugar de morte, este mundo, nos movendo entre aqueles que são mortos nos seus pecados e delitos, chamando-os para à Vida e a Luz.

Como seria viver e trabalhar entre mortos dia após dia?  Pergunte as equipes de resgate.  Morte é um lugar de escuridão; não existe luz ali.  É um lugar silencioso; não existem palavras.  É um lugar rígido; não tem movimento ou crescimento.  Existe um mau cheiro terrível.  Para entrar na escuridão do trauma na vida de outra pessoa é parecido daquilo que acabei de descrever.  Medo, que é a base do trauma leva as pessoas a esconder na escuridão.  Os medos os silenciam porque palavras são inadequadas.  Trauma traz consigo um sentido de impotência.  Todos tem experimentado impotência, aquele sentido de ser afogado pelos eventos sobre quais não tem controle.  Quando pessoas têm sido traumatizadas, repetem coisas várias vezes tentando entender o que não pode ser entendido e tentando suportar aquilo que é insuportável.  Carregam o odor do trauma consigo para seus relacionamentos, seu trabalho, seu raciocínio e suas escolhas.  Não ficarão recuperados na outra semana ou até no outro ano.  Aqueles que aguentaram traumas prévios podem ser totalmente incapacitados por um novo trauma.  Aqueles que sobreviveram um trauma e aparentam estar melhor em algum ponto pode ser lançado de volta ás lembranças por experiências novas ou até por ouvir de outro trauma. Se desejarmos ajudar outros, precisaremos aprender como de sentar, escutar e cuidar daqueles que têm sido traumatizados.  Eu acredito que aquele chamado é apenas uma manifestação específica do chamado de Deus para Seu povo que estão vivendo num mundo que tem sido traumatizado pelo pecado e sofrimento.

Muito antes que as Torres Gêmeas desmoronaram você e eu, como o povo de Deus, fomos chamados para participar dos Seus sofrimentos.  Não é o tipo de convite que a maioria de nós gostaria de receber.  Ele é o Homem de Dores e conhecedor de sofrimento.  Ao em vez disso, você e eu gostaríamos de conhecer o sucesso.  Ele foi desprezando e rejeitado.  Nós preferimos aceitação e aplausos.  Ele tomou nossas dores e carregou nossas lutas.  Nós desejamos tomar prêmios e carregar louvores.  Ele foi esmagado por nossos pecados, oprimido, julgado e cortado do mundo dos vivos.  Você e eu como os servos de Deus somos chamados para completar em nossas vidas o que está faltando em questão dos sofrimentos de Cristo, em prol do Seu Corpo.  É parecido com equipes de resgate, que estão suprindo o que está faltando neste sofrimento terrível em prol deste mundo que nosso Deus “ama de tal maneira.”

Como você e eu podemos perseverar vivendo e trabalhando entre os túmulos nos lugares de morte?  Como podemos cumprir esta chamada e não ser tão distorcidos e impactados pela morte que nos rodeia para que a aroma da vida de Cristo não seja destruída?  Paulo fala da comunhão do sofrimento de Cristo e em Filipenses capitulo três, nos diz: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo.  Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor por quem perdi todas as coisas.  Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo e ser encontrado nele...Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte...”

O que era para meu proveito ou meu ganho agora eu considera como perda.  O que tem sido nosso proveito na igreja?  Muitos têm tirado proveito por coisas como fama, sucesso, números, reputação e crescimento.  Muitas vezes temos absorvidos os valores da cultura e somos moldados pelo mundo caído em que vivemos.  Nos que seguimos um Salvador esmagado e cicatrizado temos valorizado aquilo que é inteiro, belo, produtivo, veloz e eficaz. Nós valorizamos o que é grande.  Ele se tornou pequeno. Nós valorizamos reconhecimento.  Ele foi desprezado.  Nós valorizamos beleza.  Ele foi danificado.  Paulo disse que aquilo que representava sucesso para ele, o que fazia parecer bom, o que tornava ele especial, aquelas coisas ele considerava lixo para que ele pudesse ganhar Cristo.  Ele começa conhecendo Cristo.

Você e eu viveremos e trabalharemos entre os túmulos de acordo com nosso relacionamento pessoal com Cristo.  Ao ponto em que O conhecemos e verdadeiramente seguimos este Salvador cicatrizado determina o ponto em qual poderemos viver e trabalhar entre os túmulos numa maneira parecida com Ele.  O chamado para compartilhar na comunhão do Seu sofrimento é precedido pelo chamado para adorar, o chamado para conhecê-lo verdadeiramente como Ele é.  Não podemos encarar as coisas como verdadeiramente são neste mundo tenebroso sem ficar distorcidos a não ser que encaramos do lugar de adoração.  Isto é por duas razões.  Primeiro, a não ser que vejamos Aquele que é levantado, exaltado no trono e merecedor de toda honra, poder e glória, a realidade das coisas como são apagará nossa fé, nos lançará no ceticismo e pânico.  Não conseguiremos encarar os escombros das Torres Gêmeas, o estupro de uma criança, o genocídio de um povo ou a destruição de um terremoto sem a devastação da sua alma fora a adoração do Cordeiro que se assenta no trono.  Segundo, a não ser que começamos do lugar de adoração não teremos a força para descer.  Adoração sempre leva a arrependimento.  Não conseguiremos andar entre os traumatizados e o sofrimento com humildade, paciência, compaixão e consolo numa maneira que honra o Homem de Dores até temos verdadeiramente nos visto diante dEle. Isaias não ouviu a voz do Senhor dizer, “Quem enviarei?  Quem irá por nós?” até que seu pecado foi expiado.  Sem isto responderemos com orgulho e superioridade, impaciente com pessoas que demoram a sarar, intolerante das suas repetições e medo prolongado.  Adoração precisa vir primeira porque mesmo que a terra estremece e as montanhas caem no mar, Deus está no Seu trono e é nosso refúgio eterno.  Adoração precisa acontecer primeira ou nos exaltaremos e pensaremos que o trabalho penoso dos escombros não nos pertence.  Se quiser andar bem entre aqueles que sofrem, então começa de joelhos adorando o Deus que precisa permear seu ser se quiser trazer vida aos lugares mortos.

Paulo diz que antes de tudo precisamos conhecê-lo intimamente enquanto entramos em contato com as coisas como são.  Então, ele aponta para conhecer o poder da Sua ressurreição.  Conhecê-Lo vem antes de conhecer o poder da Sua ressurreição porque sem ter uma vida contínua com Cristo, qualquer tipo de poder seria usado por nossas próprias propostas e por isso perigoso.  Se pensar em viver e trabalhar entre os túmulos, o poder da Sua ressurreição é uma necessidade.  Volte para a imagem rapidamente, trabalhando com o povo nas catacumbas de Roma.  Volte para a imagem das equipes de resgate.  Você fala; você chora; você intervém, e o que acontece?  Os mortos permanecem mortos.  Você lê; você tenta algo criativo e novo e os mortos permanecem mortos.  Estão sepultados e embrulhados nas faixas do túmulo.  As pessoas traumatizadas são enterradas debaixo de camadas de medo, autoproteção, traumas anteriores, depressão, camadas do seu próprio pecado e o lixo dos pecados dos outros contra elas.  Não conseguimos perseverar por muito tempo em tais circunstancias.  Não posso imaginar levantar toda manhã e dirigir para as catacumbas para falar com o povo que residem lá.  O mau cheiro, a escuridão e a morte me afastariam ou eu aprenderia lidar, por convencer-me mesmo que realmente tem sinais de vida só para poder continuar.  Nenhuma resposta seria suficiente, não é?  Quer dizer, se vai trabalhar entre os mortos, o que realmente precisa é uma ressurreição.  Paulo diz que podemos conhecer o poder da Sua ressurreição.

O que isto significa?  Eu creio que um dos princípios das Escrituras é que qualquer verdade, para poder produzir fruto como Deus intencionou, precisa primeiramente ser manifesta em mim antes de entregar para outros.  Se eu vou levar o poder da ressurreição para tocar a vida de um povo sofredor, preciso primeiro permitir O Espírito de Deus levar aquele poder para tocar os lugares escuros e mortos da minha própria vida.  Como posso levar liberdade para cativos se eu mesmo estou escravizada pelo pecado em alguma área da minha vida?  Como posso trazer liberdade do medo, se nos meus relacionamentos eu mesmo estou cheio de medo?  Servir a Deus sempre começa com a adoração a Deus e submissão ao trabalho da redenção na minha vida.  Se quiser levar o poder da ressurreição para tocar as vidas das traumatizadas precisa iniciar de joelhos, arrependendo e buscando a obra de Deus na sua própria vida.  Em Efésios, Paulo fala da grandeza do poder de Deus para nós que acreditamos como sendo o mesmo poder usado para ressuscitar Cristo dos mortos.  Não consegue levar alguém traumatizado para conhecer o poder da Sua ressurreição a não ser que aquele mesmo poder tem tido efeito sobre a escravidão e os medos da sua vida.

Quando você e eu pensamos em levar o poder da Sua ressurreição à vida dos outros, acho que tendemos a pensar de maneiras para “melhorar a situação.” Queremos ajudar outros afastar do seu sofrimento.  Queremos consertar como se nunca tivesse acontecido.  Quando olhamos para o Cristo ressurreto, porém, o que vemos?  Cicatrizes.  Tomás colocou o dedo nas Suas feridas.  Se nós estivéssemos no controle da situação, suspeito que o Cristo ressurreto ficaria livre de todas as suas feridas.  Cicatrizes não são bonitas.  Cicatrizes são coisas que tentamos esconder.  As cicatrizes de Cristo durarão para toda eternidade.  A vitória de Jesus Cristo, Seu reino, e Sua gloria veio por meio das cicatrizes, pela fraqueza, pelo sofrimento.  Pode ouvir a esperança nisto para as vítimas de trauma?  Não existe nada que pode fazer para apagar a realidade daquela tragédia.  Aquelas pessoas que têm sido traumatizadas pelo abuso, violência, guerra ou terremotos NUNCA serão as mesmas.  Suas vidas estão permanentemente alteradas. A mensagem das cicatrizes no Cristo ressurreto não é que a ressurreição retira o sofrimento, mas que a ressurreição captura e leva o sofrimento na glória de Deus.  Quando chegarmos à eternidade, a coisa mais linda lá será as cicatrizes de Jesus Cristo.  Fora destas cicatrizes, você e eu só poderíamos enxergar Ele como juiz. O sofrimento terrível de Cristo é capturado na Sua gloria. Nosso Deus não apenas reorganiza os pedaços quebrados do trauma.  Nosso Deus está colhendo todo o sofrimento dos traumas deste mundo e tudo que vem pela frente e está levando para Sua glória.  Pode ver evidencia disso em muitas das respostas que pessoas têm à tragédia. Ele tem levado a autossuficiência e transformado em mutualidade.  Tem transformado o mal em compaixão.  Tem mudado devastação e feito ternura.  Deus captura o que é feio, a morte e tristeza e as usa para Sua gloria.  Não tem visto evidencia disso na sua própria vida?  Nenhum mal, nenhum sofrimento está fora do Seu alcance para capturar para Sua gloria.  Enquanto você vive e se movimenta entre os túmulos, na devastação e nas tragédias, faça isto conhecendo Aquele que tem te chamado A Ressurreição e A Vida trazendo os lugares de morte e desespero a esperança de cicatrizes transformadas em beleza.  Seu trabalho aqui neste mundo é um trabalho de ressurreição.

Olhar e considerar o trabalho de Cristo entre os túmulos onde Lazaro foi enterrado.  Quando Jesus finalmente apareceu após esperar três dias, Marta tanto quanto Maria, disseram que se Ele tivesse lá, Lazaro não teria morrido.  Jesus deu uma resposta fenomenal.  Ele não disse, ‘Sim, eu poderia ter feito algo. ’ Também não disse, ‘Mesmo agora, eu farei algo. ’ Ele disse, ‘Eu SOU.  Eu sou a ressurreição e a vida.  Sou o produto verdadeiro. ’ Quando seguimos Jesus até o tumulo encontramos o que é normal perto dos túmulos.  As palavras usadas nas Escrituras nos mostra que Jesus ficou profundamente agitado, indignado, e irado na presença de doença e morte.  Ele estava tão perturbado que tremeu na sua força.  E Ele chorou.  Verdadeiramente Ele conhece nossas dores e carregou nossas enfermidades.

Aí Jesus fez algo interessante. Ele incluiu seres humanos no processo da ressurreição. Agora, alguém que pode ressuscitar outro da morte certamente não está limitado por uma pedra no caminho.  Não era necessário ter pessoas para remover a pedra, mas Jesus as envolveu no seu trabalho de ressurreição.  Ele chamou Lazaro pra fora e envolveu pessoas outra vez.  “Tirem as faixas dele e deixem-no ir.” Lazaro tinha que caminhar cegamente para fora do tumulo em direção à voz que lhe chamou.  Ele não podia ver, ele estava preso com as faixas que o restringia e ele fedia.  Jesus resuscitou Se mesmo sem auxílio nenhum.  Poderia ter feito Lazaro ressuscitar e sair sem as faixas que o prendia.   Pedras e faixas não representam grandes desafios se Ele pode ressuscitar os mortos.

Deus tem chamado você e eu para participar no seu trabalho de ressurreição.  Nós fazemos coisas ordinárias como remover pedras e soltar as faixas.  Ele tem nos chamados para entrar no lugar de morte e escuridão com métodos aparentemente ordinários.  O resultado é transformação para a glória de Deus porque a Ressurreição e a Vida vão conosco e em nós. Participação no trabalho de Deus requer que sabemos como fazer bem aquilo que Ele nos chamou para fazer.  Se tentar lidar com o trauma dos outros ignorando o impacto que tem e sem conhecer como responder, você danificará aqueles que já estão seriamente feridos.  Para nós, fazer aquele trabalho bem significa entender trauma e o seu efeito na vida humana.  Significa aprender como responder as pessoas amedrontadas que têm sido esmagadas e prostradas por atrocidades.  Significa perseverar porque a natureza do trauma é que seus efeitos sobrevivem em muito o evento causador.  Ter esperança que esta conferencia o  ajudará em com algumas destas ferramentas.  Você precisa fazer a sua parte muito bem.  Isto é importante.

Ao mesmo tempo você precisa reconhecer que estas ferramentas, embora necessárias, não são a fonte do poder. Isto lhe levará a trabalhar com humildade.  Independente da sua capacidade e excelente desempenho em remover pedras, lidar com fedor e retirar faixas, você não consegue levantar os mortos.  Ele é a ressurreição e a vida.  O poder vem d’Ele, e não devo confundir o meu trabalho com o trabalho d’Ele.  É muito fácil ficar fascinado e convencido das nossas maneiras, nosso modelo, nossas intervenções.  Não pode ouvir a conversa em Betânia naquela noite?  “Você viu? Eu removi a pedra.” Meus amigos, remover pedras e retirar faixas é um dos privilégios maiores que conheço porque significa ser chamado para trabalhar em sociedade com meu Salvador.  Mas tal trabalho precisa estar carimbado com o fruto de humildade porque é Ele que faz a obra maior.  Ele é a ressurreição e a vida.  O trabalho é feito por Ele, porque Ele está em nós.  É feito para Ele para que Ele seja glorificado.  É Deus descendo múltiplas vezes, como fez em Belém, para trazer o poder da Sua ressurreição dentro de carne e sangue.

Paulo disse que conhecer a Cristo é primordial.  Conhecê-Lo deve ser o valor que ultrapassa todas as outras coisas. Conhecer a Ele é estar saturado com a Sua vida, para que através de nós Ele possa trazer vida para os lugares mortos, levando o mal terrível e o trauma e sofrimento do mundo e desta cidade para Sua glória.  Paulo também nos disse que uma vida desta nos leva para ter sociedade com Seus sofrimentos.  Notar que o versículo chama isto  comunhão com Seus sofrimentos. Esta é uma verdade que frequentemente perdemos e passamos por cima.  Esta verdade é expressa em Mateus capítulo 25. Jesus disse que uma das maneiras que seus discípulos iriam ser reconhecidos seria porque deram Lhe comida quando estava com fome, água quando Ele estava com sede, roupa quando nu, etc.  Os justos ficaram surpresos com tal descrição. “Quando é que lhe vimos em tal condição,” indagaram?  E Jesus disse que “O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.” Isaias disse que Ele ‘tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças. ’ Você entende que quando sentar com alguém que está sofrendo, doendo, e de luto, você está encarando uma dor que Ele carregou? Não existe tragédia, ou pecado que possa encontrar na vida de outro ser que Seu Senhor não tenha carregado.  Quando você cuidar daqueles que estão sofrendo, você está cuidando d’Ele.  Quando você cuidar dos sobreviventes de um desastre natural, você está cuidando d’Ele.  Ele disse isto.

Amy Carmichael expressou esta ideia eloquentemente com a seguinte colocação:

Finalmente chegou o dia em que o fardo ficou pesado demais para mim; e então foi como se as árvores... fossem oliveiras, e de baixo de uma daquelas arvores nosso Senhor Jesus se ajoelhava, e ajoelhava sozinho.  Ai entendi que este fardo era d’Ele e não meu.  Foi Ele quem estava me pedindo para compartilhar o fardo com Ele, não eu quem pedia para Ele compartilhar comigo.  Depois disso só tinha uma coisa a fazer: quem O vendo ajoelhado ali poderia virar o rosto e esquecer?  Quem poderia ter feito algo diferente a não ser entrar no jardim e ajoelhar junto com Ele de baixo das oliveiras? 

Um convite para entrar na comunhão do Seu sofrimento é um convite para o Getsêmani.  Se pretender fazer este trabalho de abaixar-se para ajudar carregar os fardos dos outros, você descobrirá que muitos aspectos do seu mundo estarão interrompidos. Tragédia e sofrimento viram a agenda de cabeça prá baixo.  Aqueles que sofrem muitas vezes são repetitivos enquanto tentam assimilar a tragédia. São vagarosos porque mentes sofredoras processam lentamente.  As noites são piores do que os dias porque a escuridão renova o medo.  Sofrimento é bagunçado e às vezes barulhento quando as lágrimas e gemidos e lamentos tornam-se avenidas de expressão quando faltam as palavras.  Sofrimento também significa escutar perguntas que não tem respostas – perguntas atormentadas e torturadas.  Tais coisas como estas não se encaixam nas agendas movidas por aquilo que é bem sucedido, eficiente, razoável e correto.  Na essência você estará entrando em relacionamentos centrados no sofrimento. Que conceito!  Tipicamente centramos relacionamentos em produtividade, sucesso, ganho, interesse mútuo, celebração ou amor.  Aqueles que são chamados para seguir o Homem de Dores na comunhão do Seu sofrimento entram em tais relacionamentos voluntariamente com o propósito de revelar o Autor de todas as coisas, não como alguém complacente, mas como O crucificado.  E aqui, neste lugar, no lugar da cruz existe o gozo deste estranho tipo de comunhão.  Um convite para entrar na comunhão do Seu sofrimento também é um convite para ir ao Calvário.

Aquele que foi crucificado foi o mais traumatizado.  Ele suportou e aguentou a destruição das Torres Gêmeas.  Ele carregou a guerra do Iraque, a destruição na Síria, os massacres de Ruanda, a crise de AIDS, a pobreza das favelas e as crianças traficadas.  Ele foi ferido pelos pecados daqueles que perpetraram estes horrores. Ele carregou as dores e angustia das multidões que tem sofrido nos desastres naturais deste mundo – os terremotos, ciclones e tsunamis.  E Ele carregou nosso egoísmo, nossa complacência, nosso amor pelo sucesso e nosso orgulho.  Ele esteve na escuridão.  Ele conheceu a perda de todas as coisas.  Ele foi abandonado pelo Seu Pai.  Ele foi ao inferno.  Não existe nenhuma parte de qualquer tragédia que Ele mesmo não conheceu e suportou.  Ele fez isto para que nenhum de nós precisasse enfrentar tragédia sozinha porque Ele esteve lá antes de nós e irá junto conosco.  Aquilo que Ele tem feito por nós em Getsêmani e no Calvário, Ele pede de nós também.  Somos chamados para entrar em relacionamentos centrados no sofrimento para que possamos revelar em carne e osso a natureza d’Aquele que foi crucificado.

Quando você e eu entramos no sofrimento do Filho de Deus nas vidas de outros, resultará é que veremos Ele ressuscitar os lugares mortos dentro de nós.  Intencionamos em ajudar, encontramos que somos ajudados.  Não pode ser parceiro do Cristo Crucificado sem que a mensagem da Cruz seja aplicada a sua própria vida e coração.  Seu dedo tocará gentilmente no seu orgulho, sua superioridade, sua complacência, sua impaciência, seu amor para ordem, seu desejo para o sucesso, seu amor para sua reputação e sua fé naquilo que pode fazer na sua própria força.  Sei que isto é verdade porque Ele tem ressuscitado estes lugares em mim, lugares de morte que nem sabia que carregava em mim.  E Ele continua fazendo isto.  Deus usará o sofrimento dos outros para lhe impelir para se aproximar d’Ele para receber mais d’Ele.  Se desejar entrar no sofrimento de pessoas, entrará na escuridão.  Tal escuridão esmagaria e levaria ao desespero se não tivesse um tesouro lá.  O tesouro na escuridão é O Cristo Crucificado.  Ele que pode compadecer-se está lá.  Ele que conhece angustia está lá.  Ele que sentiu tormento, abandono, descaso e foi esmagado espera lá na escuridão.  Entrar na comunhão do Seu sofrimento é encontrar Ele.

Minha oração para vocês, queridos Brasileiros, é que possam O conhecer bem e profundamente, infundidos com o poder da Sua ressurreição e que possam de boa vontade e entrar na comunhão do Seu sofrimento.  Enquanto saem deste lugar e entram neste mundo de túmulos, levem com sigo as palavras d’Aquele que foi crucificado, “Eu sou a ressurreição e a vida”.  Levar suas habilidades ordinárias, de remover pedras e retirar fedor, para seu país; mas levem estas habilidades infundidas com a vida e poder de Cristo que habita dentro de vocês.  Odeiem o que Ele odeia, não apenas no mundo, mas em si mesmo também.  Odeiem terrorismo, violência, doença, trauma e pecado... não apenas dos outros mas de si também.  Entrar nas vidas cheias de sofrimento e lá encontrar a beleza do seu Salvador crucificado que lhe aguarda como o tesouro na escuridão.  Considerar todo o resto como lixo, tudo; e resolver conhecer nada além de Jesus Cristo e Ele crucificado.  Quando a escuridão, o sofrimento e o trauma lhe esmagar, com de fato acontecerá, ficar de joelhos e pedir para mais d’Ele para que possa perseverar até aquele dia quando os reinos deste mundo se tornam o reino do nosso Senhor e Cristo – aquele dia quando a ressurreição significará a redenção de todas as tragédias de todas as coisas; aquele dia quando todo sofrimento será capturado na glória de Deus.  Naquele dia você e eu nos juntaremos aos anjos, os anciões, os seres vivos para cantar: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!  Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre! Amem.”