Ferramentas e Recursos para restauração da Alma

 

As Muitas Faces do Luto

As Muitas Faces do Luto

Diane Langberg

www.dianelangberg.com

 

Trago palavras para a tristeza: O luto que não fala, sussurra para o coração esmagado e o encoraja a se despedaçar. (Shakespeare, Macbeth)

Não pode fechar o círculo e enterrar (restaurar) aquilo que não tem sido relatado e conversado, e se não for enterrado (restaurado),as feridas continuam ferindo de geração a geração.(Bruno Bettelheim)

 

Quantas pessoas nesta sala têm passado pelo luto?

É uma experiência humano universal. Todos nós passamos por isto muitas vezes em nossas vidas. Desde que não conseguimos escapar, vamos abordar o que é e qual é o caminho pelo luto. Se for fazer uma viagem é melhor conhecer algo sobre o caminho: qual é o destino; por onde vai passar; onde vai pousar; quanto tempo leva para chegar lá e o que precisa para ajudar no caminho?

O luto é o resultado de algum tipo de morte. Morte é o hóspede indesejado na vida humana. Não a queremos; muitas vezes a tememos; não conseguimos controlá-la e odiamos nossa impotência diante dela. Alguns de nós trabalhamos duro para ignora-la. Não queremos falar a respeito. Trabalhamos duro para não encarar a destruição vagarosa do nosso corpo físico. Mesmo assim, ele invade nossas vidas implacavelmente e também nas vidas daqueles que amamos. A experiência é universal independente de gênero, raça, cultura, nacionalidade, poder aquisitivo e idade. Nenhum de nós pode escapar um encontro com este hóspede intruso chamado a Morte.

A morte não é algo que encontramos apenas no final das nossas vidas, não é verdade? Encontramos a centenas de vezes durante a vida. Encontramos com cada conclusão – a morte de um sonho, o fim de um relacionamento, o fim de um trabalho, um filho que sai de casa, uma doença crônica, um estupro, abuso e guerra. Encontramos a morte até em tempos de felicidade – um casamento, o nascimento de um filho, uma formatura – todas estas ocasiões são tempos de grande alegria, mas mesmo assim carrega junto o fim de alguma coisa, a natureza de um relacionamento ou uma época da vida.

Muitas vezes lidamos com isto através de distanciarmos deste hóspede não convidado. Nossa própria morte com certeza está bem longe. Definimos a morte tão estreito quanto possível em nosso esforço para negar a presença persistente dela. Consideramos apenas nosso fim físico como a morte e por isso todas as mortes pequenas que ocorrem entre aqui e lá podemos chamar de outra coisa. Mas, se a verdade for dita, voce e eu somos envolvidos num processo contínuo de lidar com a morte enquanto ainda vivemos. Isto significa que como pessoas, estamos de luto frequentemente.

Ninguém gosta do luto. Dói. Queremos evita-lo. Vemos como o inimigo. Vamos ser claros, porém, quando refletimos sobre este assunto difícil. O luto não é nosso inimigo. Somos confrontados com um inimigo tremendo, mas o inimigo não é o luto; é a morte. O luto não é nosso inimigo. Dói; a dor pode ser esmagadora. Mas o luto também é um sinal de vida e restauração e cura. Qualquer coisa que pertence à vida não é um inimigo. Precisamos tomar cuidado em separar a morte do luto. Se não separarmos as duas coisas, não entenderemos como viver num mundo moribundo e responderemos inapropriadamente ao luto dos outros.

O luto é um processo que leva tempo e nos ajuda a sarar após uma perda. É doloroso e queremos evitar, mas se fizermos isto ficaremos atolados e restauração saudável nunca acontecerá. Mortes de muitos tipos são a realidade neste mundo em que vivemos. Passamos por muitas mortes pequenas enquanto vivemos. Passamos por luto em resposta a estas mortes. Precisamos confrontar a morte nas vidas daqueles que amamos. Eles morrem e nos deixam pra trás para passar o luto por eles. No final das coisas, precisamos enfrentar nossa própria morte, passando pelo luto enquanto morremos e depois deixando outros para passar pelo luto por nós. Você não pode viver neste mundo e não passar pelo luto. Viver aqui e não experimentar o luto é estar fora da realidade. Seria uma falha em viver na verdade.

Como devemos pensar sobre as muitas mortes que encontramos e o processo que se segue de luto?

 

Definição

Quando falamos a respeito do luto, exatamente o que isto significa? O dicionário define o luto como “um sofrimento emocional intenso que é o resultado de perdas, calamidades, feridas ou mal de qualquer espécie”.  Carrega a ideia de grande tristeza e de carregar um fardo pesado ou peso. Obviamente o luto pode acontecer em muitas circunstancias e quando vem, é pesado e empurra a vida pra baixo.

 

Causas do Luto

 

Que tipo de coisa podem nos ocasionar o luto?

Quero que entendamos  bem as muitas faces do luto e de perdas. Não é apenas quando um ente querido morre.

  1. Morte – Esta é a razão mais óbvia para o luto. A perda de um ente querido ou a morte de um membro da família (filho, conjugue, pai, amigo de perto, avos) especialmente quando é repentina ou trágica tem sido identificado como o tipo de perda mais devastadora na vida comum e também o estressor mais potente. 
  2. Saúde – doença crônica, saúde diminuindo, amputação e o processo de envelhecimento  - qualquer coisa que significa a perda da capacidade conhecida do corpo, trará luto. No caso de algo como doença crônica o luto pode permanecer durante anos porque uma perda acumula em cima de outra quando a doença piora. 
  3. Posição – a perda do lugar físico ou perda de posição ou status traz luto. A perda da casa, igreja, comunidade, emprego, ou reputação pode resultar numa reação de luto. Muitas vezes isto é complexo porque pode se mudar por causa de um emprego melhor, que é coisa boa, e mesmo assim passar por luto de muitas coisas e pessoas. Frequentemente isto confunde as pessoas. 
  4. Relacionamentos – a perda de um amigo, conexão romântica, separação ou divorcio, infertilidade, aborto espontâneo, filho perdido em algum vício ou um ente querido perdido numa doença mental severo causa um luto que muitas vezes é complicado porque em alguns destas situações a pessoa está fisicamente presente, mas o relacionamento ausente. 
  5. Trauma e abuso – estas experiências (abuso sexual, estupro, violência domestica) causam a perda de segurança, sentido de si mesmo e da vida como conhecia. Altera a forma em que pensamos sobre nós mesmos e outros e tudo isto traz luto. 
  6. Desastres naturais, terrorismo e guerra – estes eventos produzem perdas múltiplas e devastadoras para indivíduos e comunidades inteiras, às vezes para uma nação inteira. A perda traumática repentina causada por desastres pode continuar durante um tempo significante especialmente quando envolve deslocamento. É normal para sentir o luto intensamente e durante um bom tempo em circunstancias assim. O mundo parece incerto e inseguro. Medo e ansiedade e incerteza simplesmente tornam-se parte da vida cotidiana. 
  7. Coisas – um objeto precioso, itens de grande valor sentimental. Esta é a verdade especialmente quando a coisa perdida está conectada a uma pessoa ou meio de vida que temos perdido.  

Claramente experimentamos o luto de uma miríade de perdas. A Bíblia diz, “Sabemos que toda a natureza criada geme até agora... e não só isso, mas nós mesmos... gememos interiormente...” (Romanos 8.22). Em parte isto reflete no fato que o luto está sempre presente neste mundo, onde as coisas não são como Deus as criou para ser, porque a Morte entrou. A palavra “gememos” carrega o sentido de muitas pessoas juntas na experiência de luto comum. Em outras palavras, a criação toda, todos nós juntos, passamos por luto debaixo do peso da morte. Luto não é Africano, Americano, ou Brasileiro; o luto é universal.

Escrituras

Na Bíblia existe muito sobre o luto. E se refletir nisto, o luto muitas vezes impacta profundamente a fé de alguém, até ameaça. Perdas e o luto levantam questões para muitas  pessoas a respeito de Deus e Sua bondade e confiabilidade. A Bíblia reconhece o luto como algo comum para o ser humano e fala do luto, de diversas maneiras que poderiam surpreender muitos na igreja. Certamente não sugere que devemos abafar o luto ou passar por ele de forma rápida ou que luto forte não é aceitável para Deus.

Escutem alguns versículos sobre o luto. Jeremias 31:15 “Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; e Raquel, que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem.” Tais palavras como estas fazem jus muitas vezes no mundo – na Alemanha Nazista, em Ruanda, no Congo.

Ana, em luto por causa da sua infertilidade, falou de derramar sua angustia e tristeza. (I Samuel 1)

Jeremias disse, “Meus olhos estão cansados de chorar, minha alma está atormentada, meu coração se derrama, porque o meu povo está destruído.” (Lamentações 2:11). O livro de Lamentações está dedicado ao luto e reflete muitos dos pensamentos e sentimentos daqueles que passam por lutos. Expressa dor profunda, questiona Deus e fala dos sentimentos de abandono e grande tristeza. Falaremos mais sobre o lamento mais tarde. Respostas como estas as perdas, quando expressas, muitas vezes são criticadas ou corrigidas por outros.

Até Jesus sentiu grande pesar sobre a morte do seu amigo Lázaro.  Ele chorou e aqueles que testemunharam suas lágrimas os interpretaram como um sinal claro da profundidade daquela amizade.

 

A Jornada Pelo Luto

 

O luto exige tempo e energia. É como uma jornada que passa por vários vilarejos diferentes. Pessoas passam pelo luto de formas diferentes e por isso nem todos passam pelos vilarejos da mesma forma. A ordem pode ser diferente ou algumas pessoas se encontram repetindo certas partes e visitando um vilarejo muitas vezes.

Primeiro vilarejo – Esta é a vila do choque e negação. Frequentemente pessoas sentem se anestesiadas no primeiro momento da perda e pensam, “Ah, não, não; isto não pode ser verdade.” Não conseguem absorver a realidade e ficam estarrecidas pelas notícias. Frequentemente sentem-se paralisados e sem ter noção da passagem do tempo. Negação faz com que pessoas desacreditam a perda ou às vezes imediatamente tentam voltar às rotinas normais para fazer de conta que nada aconteceu e nada mudou. Negação faz nos sentir bem. Funciona como uma droga para o coração despedaçado. Negação não é sempre totalmente ruim porque nos ajuda aceitar a perda pouco a pouco para não nos prostrar. Só podemos aceitar e abraçar a verdade um pouco de cada vez.

 

Segundo vilarejo – Esta é a vila do corpo. O luto frequentemente tem manifestações corporais. É comum ter dores no peito, falta de ar, palpitações do coração, um frio na barriga, e mãos úmidas. Padrões do sono e da alimentação muitas vezes são alterados. O corpo está envolvido no processo de luto junto com a mente e as emoções. O medo e a ansiedade, que frequentemente acompanham o luto, podem se manifestar em formas físicas.

 

Terceiro vilarejo – A ira tipicamente faz parte do luto. É nossa resposta frequentemente, uma vez que a dor da perda estabelece-se. Inicialmente sentimos uma tristeza esmagadora, desapontamento, mágoa e medo. A ira é uma resposta a nossa dor. Às vezes está direcionado aquele que se foi e outras vezes está direcionada a Deus. Às vezes, quando estamos sobrecarregados, derramamos nossa ira em todos ao nosso redor! Sentimo-nos traídos por Deus e abandonados. Como podemos confiar Aquele responsável por nossa perda? Ele poderia ter evitado e não fez. A morte deixa-nos sentindo pequenos, vulneráveis e inseguros. A perda nos confronta cara a cara com nossa própria mortalidade e falta de controle sobre isto. Nos deixa encarando nossa dependência de Deus enquanto enfrentamos a realidade que Ele permitiu este evento difícil acontecer. O luto sempre desafia nossa fé. Penso que parte da razão disso é porque independente de quanto confiamos em Deus, em algum grau confiamos não tanto nEle quanto naquilo que Ele nos deu. Por exemplo, confio que Deus é bom porque certas coisas na minha vida permanecem intactas e seguras. Quando estas coisas estão removidas pela morte de algum tipo, a própria natureza de Deus entra em questão. Também, a ira pode ser uma forma de não aceitar a perda. A ira nos distrai da tristeza e dor e pode nos energizar. Às vezes a ira é preferida acima da tristeza. A ira pode ser sentida mais forte e até mais viva do que a tristeza.

 

Quarto Vilarejo – Esta é a vila da esperança. Quando alguém chega neste vilarejo, sentem tristeza e desesperança. Tem dificuldade em se levantar da cama e dificuldade manejar sua vida. Torna-se passivo quando reconhece que a perda é real e não existe nada que possa fazer para mudar esta realidade. A ilusão sumiu e a pessoa de luto sente que o futuro também sumiu junto. A tristeza consome tudo e aquele que está de luto não espera mais nada. Este é o lugar mais escuro no processo do luto. É o fundo do poço, a cova, e não parece ter nenhuma luz. Mesmo assim, o vazio desta face da dor tem dentro dele a semente de entrega à verdade horrível que é o início da aceitação.

 

Quinto Vilarejo – Esta é a vila de novos inícios. No desespero, em algum momento, o enlutado acorda pela realização que ainda está entre os vivos. Tinha uma morte, sim, mas não foi nossa. Ainda estamos aqui e provavelmente continuaremos vivos amanhã. É verdade que não somos os mesmos e a dor da perda tem deixado sua cicatriz. Algo começa mudar, porém, e em vez de olhar prá baixo ou dentro começamos a olhar pra fora e pra cima. Ficamos surpresas que a vida continua. Pensamos que toda vida tinha parado. Observamos como um espectador por um tempo e aí, bem devagar, começamos o processo de conectar de novo com a vida. A perda faz parte de nós, mas não mais nos engole. Entramos na vida outra vez, mudados e mais humildes. Somos mais cientes do nosso status como criaturas, nossa fragilidade e nossas limitações. Ficamos cientes da natureza temporária das coisas e que todas as coisas aqui são temporárias que nos deixarão ou serão deixadas por nós. Também chegamos a reconhecer que o mesmo Deus, que pensamos que nos deixasse, de fato veio habitar conosco para que este inimigo horrível, a Morte, cujo ataque nos prostrou, pudesse ser destruída para sempre. É saborear um pouco da ressurreição.

A passagem pelo luto de cada pessoa é única. Duas pessoas não passam pelo processo do luto da mesma maneira ou com a mesma duração de tempo. Os aspectos do luto não ocorrem numa forma linear. Muitos aspectos são cíclicos de forma repetitiva ou até ocorrem simultaneamente.

No seu livro “Mourning into Dancing” (Luto Transformado em Dança) Walter Wangerin escreveu o seguinte: “Cada experiência de luto será única. No evento em si, pode sentir terrivelmente solitário e confuso. A dor pode convencê-lo de que o luto é o mal. De fato, morte é o mal, não o luto. Nós que somos seus amigos reconheceremos isto; nós que escolhemos  ser seus consoladores aprenderemos o padrão geral do processo, o propósito de cada aspecto do luto para que possamos nomear suas feridas e acompanhar suas tristezas até o luto traze-lo de volta completamente à vida e a nós.” (p.151)

Todos os vilarejos que fazem parte do luto tem um alvo em comum: aprender a abrir mão, aprender a viver sem o que perdeu, aprender vestir algo que não parece encaixar bem. Talvez alguns de vocês tivesse tido a experiência de ter sua mão ou braço enfaixado com gesso. Enquanto estava engessado repetidamente tentava fazer algo que fazia com aquele braço só prá descobrir que não podia. Até as tarefas mais simples não podia fazer como normalmente fazia. Coisas que fazia sem pensar, coisas que fazia com facilidade têm que ser feitas diferente ou dispensadas ou feito com a ajuda de outros. Uma vez que a dor incessante diminui sente-se constantemente confrontado com suas limitações devido à ausência da sua mão. Vive frustrado, irado e deprimido. Com tempo, porém, encontra novas formas, você se adapta e aprende a viver sua vida com a ausência. Não é a mesma coisa. Com certeza, quer sua mão ou braço de volta, mas consegue continuar sem ele. Esta analogia não é perfeita, mas uso para lhe dar um pequeno retrato do luto, como podemos responder a ele e como aprendemos a conviver com ele.

Quando perdemos um ente-querido, ou um meio de vida é perdido por causa de doença, ou o trauma esmaga, tentamos continuar com a vida como antes. Continuamos procurando por aquele que perdemos. Esperamos que apareça a cada instante. Esperamos que nossos corpos funcionem como antes. Continuamos ficar surpresos com nossas limitações. Encaramos com a necessidade de aprender conviver com a ausência que a morte nos trouxe e batemos nesta parede repetidas vezes. É um tempo de crise e a palavra ‘crise’ em parte significa “uma separação”.  Pensamos num ‘antes’ e um ‘depois’: antes da morte e depois, antes do estupro e depois, antes da perda do emprego e depois. A vida estava de um jeito antes e agora, eternamente mudado, ela é de outro jeito.

 

Passos para Resolução do Luto

 

Passo Um – Admitir que a perda aconteceu e que é final. Aceitar a finalidade da perda é um lugar difícil de alcançar. Leva um bom tempo. A mente rejeita um pensamento deste. Imaginamos outras coisas que poderiam ter acontecido com outros resultados possíveis, tentamos barganhar com Deus, praticamos formas de negação e recusamos alterar nossas agendas e ambientes normais. A recusa de aceitar a finalidade da perda diminui com tempo. Pessoas frequentemente dizem, “Tem que aceitar”, como se tivesse um botão para apertar. Não existe botão. Aceitação leva bastante tempo, muito tempo.

Passo Dois – Sentir e expressar todas as emoções e pensamentos que acompanham a perda. Frequentemente pessoas fazem coisas para ajudar a si mesmos no processo. Podem olhar fotos velhas, revisitar lugares, falar sobre suas lembranças ou escrever sobre suas lembranças e sentimentos. Outros, às vezes, respondem negativamente a tais coisas como se tivesse se torturando ou piorando as coisas. Porem é realmente proveitoso e necessário no processo de luto. Estas práticas dão voz a dor e a perda.

Passo Três – Encontrar uma forma de dizer ‘adeus’ e abrir mão daquilo que foi perdido. Muitos dos aspectos iniciais do luto envolvem agarrar-se naquilo que se foi. No decorrer do processo este apegar-se fica menor, e pouco a pouco o enlutado abre mão daquilo que foi perdido. Obviamente, quando alguém morre o funeral faz parte daquele processo, mas isto acontece nas fases iniciais e como resultado, muitas vezes não sente como se fosse um verdadeiro ‘adeus’. Às vezes pessoas sentem a necessidade fazer algo mais tarde no processo como fazer um memorial como forma de dizer ‘adeus’ quando eles enfrentam plenamente a realidade da sua perda.

Passo Quatro – Aprender reinvestir a energia emocional e mental que foi consumida pelo luto em novos relacionamentos, objetivos, pessoas e projetos. Obviamente isto ocorre mais perto do fim do luto quando começamos, pouco a pouco a voltar para a vida no presente e deixar o passado prá trás. Às vezes pessoas nos empurram para fazer isto cedo de mais como se fosse nos ajudar ‘superar’ a perda. Não é algo que pode ou deve ser feito logo após a perda.  É a fase final de um longo processo.

Estas são basicamente o que chamamos as etapas do luto e se não acontecerem, geralmente é porque alguém ficou preso de alguma forma no processo. Existe algo chamado “luto complicado” que pode surgir a partir de uma série de vários fatores. Luto que entra nesta categoria tem uma chance maior de ficar preso. Um relacionamento não resolvido com a pessoa morta, especialmente quando envolve hostilidade ou alienação, circunstancias que deixam a perda incerta (sem um corpo encontrado), morte inaceitável socialmente (AIDS ou suicídio),um histórico de luto mal resolvido ou características de personalidade que causam uma incapacidade de expressar sentimentos ou tolerar angústia emocional podem todos resultar em “luto complicado.” Muitas mortes ao mesmo tempo ou mortes violentas também são mais difíceis de resolver. Em geral, luto pode ser resolvido de forma saudável em 2-4 anos. A ideia que leva apenas um ano empacotadinho é um mito. Certamente, é mais difícil durante o primeiro ano, mas não está completado simplesmente porque um ano passou. Se, após de vários anos, a intensidade e frequência do luto não diminuiu, ou se alguém não estiver disposto a lidar com as posses materiais da pessoa morta ou tem desenvolvido sintomas físicos parecidos com a pessoa que morreu ou desenvolve uma fobia sobre doença ou morte, então provavelmente seria sábio procurar ajuda profissional.

 

Erros e Mitos

 

Agora gostaria considerar alguns dos mitos que acreditamos frequentemente a respeito do luto e alguns erros que fazemos em tentar cuidar daqueles que estão enlutados. Estes erros nos levam a ferir nós mesmos ou outros porque não entendemos o luto e o processo envolvido nele. Lembre-se o que falamos mais cedo – que o luto não é o inimigo. O inimigo é a morte. O luto é o processo que ocorre em resposta à morte e é este mesmo processo que leva à vida. Se tomarmos o luto erradamente como o inimigo, arriscaremos ser o obstáculo na obra que é necessária para a restauração.

Erros e Mitos:

 

  1. O luto perdura num período determinado, se movimenta em linha reta através de certas fases e deve ser concluído dentro de um ano. O luto em geral leva bem mais do que um ano; as faces do luto são muitas e são experimentadas de forma singular por causa de fatores individuais como personalidade ou história e também por causa do tipo de perda que ocorreu. A perda de um filho ou um conjugue é diferente um do outro. Morte e divórcio são diferentes.
  2. A morte que é prevista fica mais fácil lidar do que uma morte súbita. Uma não é mais fácil do que a outra. Simplesmente são diferentes. Cada um tem aspectos difíceis e peculiares. Durante uma doença prolongada a pessoa ainda está presente de alguma forma e mesmo assim, a perda é contínua, pouco a pouco.  Morte súbita tem um elemento de choque que é difícil. A morte é final independente se for esperada ou súbita.
  3. Focalizar no presente; não falar sobre a perda; mantendo-se ocupado e se distraindo. Se fizer isto, você falhará no processo de luto e terminará preso. Processar perdas dá trabalho. Exige energia tremenda e muitas vezes é penoso e fatigante. É uma tarefa que vale a pena e não irá se recuperar por evitá-la.
  4. Se tivesse fé em Deus, o luto seria breve ou até desnecessário porque Ele é suficiente. Muitas pessoas acreditam nisto – muitas pessoas bem intencionadas. O problema é que a Bíblia não concorda. Cristo mesmo lidou com o luto como já mencionamos. Ele também chamou aqueles que O seguem para chorar com os que choram e lamentar com os que lamentam. Ele não nos chamou para exortá-los, condenar seu luto ou apressá-los no processo do luto. De fato, Ele nos chamou para se juntar a eles no seu luto e lamento. Quando escolhemos acompanhar alguém isto significa que aquele ‘alguém’ estabelece o passo, a velocidade. Não acho que isto seja apenas no culto fúnebre. Acho que significa o processo todo do luto.
  5. A ira expressa no processo do luto deve ser abafada. Está errado para um Cristão sentir irado sobre sua perda. Leia os Salmos. Muitas vezes estes são cheios de ira como o salmista desejando saber onde Deus está, o que Ele está fazendo e porque Ele parece ter abandonado aquele que Ele diz que ama. Usaremos um lamento para visualizar isto.
  6. Permita-me lembra-lo do que lhe resta, o que não perdeu ou do fato que poderia ter sido pior porque isto vai lhe ajudar sentir-se melhorEstas são frases que começam com “Pelo menos não...” ou “De qualquer jeito estava tão doente” ou “Pelo menos deve ficar contente que ainda tem três filhos saudáveis.” É como se pensasse sobre o que não perdeu possa aliviar a dor daquilo que de fato perdeu. Você está processando uma perda verdadeira. Nada pode transformá-la em outra coisa além do que uma perda real. Não lastimamos o que temos, mas aquilo que não temos e sentimos falta. Comparamos nossa perda ao bem que tivemos não ao mal que nunca aconteceu. Relembrar o que temos não preenche o espaço vazio.

Como Ser Um Consolador

 

Nem todos os enlutados processam as perdas da mesma forma. Quando lhe dei alguns das fases do luto lhe ofereci não uma escrita para seguir, mas uma forma de interpretar o que pode encontrar enquanto alguém processa sua perda. Não existe uma forma certa para processar perdas. Parte de consolar outro é simplesmente reconhecer os aspectos variados do luto e normalizá-los. Quando o enlutado teme que esteja perdendo seu juízo enquanto passa ciclicamente pelas várias fases do luto, o consolador pode assegurá-los que não está insano, mas que isto faz parte do processo. Esta afirmação traz estabilidade ao caos do enlutado.

Walter Wangerin diz isto aos consoladores: “Sempre leve suas sugestões e pessoa. Por instinto, ela está liderando, em paciência você está servindo.” Deixa a pessoa de luto lhe falar o que está sentindo e pensando. Você não deve ensinar. Você deve escutar; ler seu rosto e gestos e assegurá-lo porque você entende a natureza do luto.

Esperar a ira. Não ficar surpreendido pela sua intensidade. Entenda que, mesmo se você for usado como alvo, a ira não é sobre você. Como um consolador você se ofereceu em estar presente com o enlutado, dando-lhe uma oportunidade de expressar o que sente. Lembrar-se que ao conectar com você, mesmo com ira, é uma forma de conectar com a vida num momento em que sente como se a morte tivesse engolido tudo. O fato de que você tem o privilégio de estar presente significa que a vida está permitindo florescer no lugar da morte.

O papel do consolador lhe expõe. Se não tem aceitado a morte ou fins como uma realidade (sua própria incluída), a perda da qual está consolando o outro se tornará uma ameaça para você e você reagirá erradamente. Creio que uma das razões que frequentemente criticamos o processo do luto do outro ou tentamos apressá-los é porque ainda não aceitamos verdadeiramente a realidade, a finalidade do trauma, fins ou morte em nós mesmos. Queremos diminuir a ameaça, minimizá-la e assim terminamos minimizando a perda do enlutado. Certamente, justificamos, não pode ser tão ruim.

O outro extremo desta questão é estarmos tão esmagados pela morte e a tristeza que acompanha que nos perdemos no processo do luto do enlutado. Não temos objetividade ou neutralidade e por isso não podemos oferecer esperança porque nós mesmos lutamos para ficar conectados com a vida. Você, como consolador, é a ponte para o enlutado. Precisa acompanhá-lo com paciência e compaixão pelo vale, visitando todos os vilarejos do processo. Ao mesmo tempo, precisa manter um domínio sólido na vida e no Deus da esperança ou não será uma ponte prá fora do luto. Consoladores precisam atravessar a brecha entre a morte e a esperança.

Consolar é um ministério; se torna um servo para o aflito. A extensão do seu luto é determinada por ele, não pelo tanto de tempo que você consegue ficar triste. Seu trabalho é de estar com ele onde ele estiver e não arrastá-lo para fora onde você está mais confortável.  Após o culto fúnebre todos voltam para suas agendas e suas vidas, todos, quer dizer, além do enlutado. Seis meses mais tarde o mundo nota e fala, “Ah, ele ainda está de luto?” Como consolador você deve ficar com ele.

Após um diagnóstico de doença crônica todo mundo junta-se a pessoa doente. Mas anos mais tarde, é muito fácil esquecer ou dizer que certamente não está tão mal, ou deve ser coisa de sua cabeça. Mas através do tempo, verá sua vida sendo devastada pela doença enquanto desgasta seu corpo e suas capacidades. Ainda lutará com depressão. Seu luto será implacável. Ele lastimará sua inabilidade de fazer o que o coração deseja. Talvez eventualmente mudará de uma vida de atividades plenas para uma a imobilidade em uma cama. Se tomar medicações sofrerá os efeitos colaterais que o debilitam em maneiras adicionais. Seu sono sofrerá, aguentará dor e os cuidados diários do corpo tomará cada vez mais sua energia.  Isto pode durar durante décadas. O que tal pessoa precisará de você? Como pode lidar com suas emoções? Como pode dar espaço para ela lamentar, chorar e fazer perguntas? Você pode perseverar junto com ela aquilo que ela tem que suportar sem escolha? Você ficará cansado da sua doença e suas limitações – e ela também. Você pode sair; ela não consegue. Muitos sairiam ou esqueceriam. O luto não aparece em pacotes bem bonitinhos.

Consoladores em geral não tentam explicar. Não conseguem responder as perguntas que surgem, nem tentam. Você não sabe o propósito nem o por que. Tentar explicar tais coisas lhe faz parecido aos ‘consoladores’ de Jó na Bíblia, que não eram em nada consoladores. Deus ficou irado com estes ‘consoladores’ de Jó porque nas suas tentativas de explicar e responder, eles representaram Deus mal àquele que sofria.

O papel do consolador também pode ser muito prático. O luto nos distrai. Ficamos perdidos nele. Não conseguimos pensar. Às vezes negligenciamos nossos corpos e precisamos ser gentilmente relembrados a cuidar de nós mesmos. Frequentemente esquecemos requerimentos básicos como pagar contas ou lavar roupa. Temos pouco interesse em comida e por um tempo talvez precise ser providenciada. Assistência amorosa frequentemente é necessária. Aniversários, dias festivas, a primeira vez para fazer algo sozinho ou numa cadeira de rodas ou não poder fazer algo de jeito nenhum – todas estas ocasiões precisam a presença de um consolador.

Mas, consoladores precisam cuidar de si mesmos. Você precisará nutrir suas próprias conexões com a vida. Precisa estar com outros que não estão de luto nem ajudando aquele que esta. Lembra-se, você é o consolador, não o enlutado. Sua vida precisa refletir a verdade. Você precisa de apoio. Você precisa de amigos que fazem coisas divertidas e frívolas, coisas que provocam risos. Você está nutrindo o enlutado. É de importância vital que você também encontre lugares e formas de ser alimentado.

 

Lamentos

 

Um dos erros principais feitos por nós com os enlutados é tentar apressá-los no processo e manipular a forma e quantidade de expressar seu luto. Desejamos que o processo seja curto e não muito emocional. Queremos responder suas perguntas. Sinto que igrejas muitas vezes tratam os enlutados como se estivessem fazendo algo errado quando choram, especialmente se parecem questionar a Deus. O livro de Salmos tem um tipo de canção que chamamos um salmo de lamento. Num lamento o povo derrama suas queixas a Deus e O pede para agir em seu favor. Davi disse em Salmos 13:1 – “Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerias de mim?” Os lamentos encorajam o povo a ser honesto com Deus e falar a verdade a respeito dos seus sentimentos e dúvidas e perguntas. Não tentam resolver o problema, simplesmente permita que Deus possa ouvir com honestidade o que está sentindo e pensando. É interessante ler alguns desses salmos (3; 4; 5; 6; 11; 13; 16; 17; 22). Estes salmos expressam sentimentos que muitas pessoas da fé diriam que demonstrassem uma falta de fé. Mas os lamentos são para Deus! Fé está sendo demonstrado por alguém com extrema dor porque está falando com Deus sobre a dor e as questões que ela levanta.

Eu trouxe um lamento hoje que junta vários versículos da Bíblia que expressam dor profunda e tristeza para com Deus. Gostaria que lêssemos juntos para que possam ouvir e sentir verdadeiramente como é um lamento. Sei que alguns de vocês hoje estão de luto por alguém ou alguma coisa e esta experiência sentiria próximo aos seus corações. Se sentir que não consegue participar, está bem, mas talvez pudesse levar junto com você e fazê-lo a sós.

 

Lamento/Pranto

 

(Diane) Por que, o Senhor, ficas tão longe?    Por que te escondes na hora de calamidade?  (Sl 10.1)

(Grupo) Meu Deus!  Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me,

Tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; De noite, e não recebo alívio!   (Sl 22.1-2)

 

(Diane) Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia? (Sl 13.1-2a)

 

(Grupo) Nossos olhos estão cansados de buscar ajuda em vão.  (Lm. 4.17)

Tu te escondeste atrás de uma nuvem para que nenhuma oração chegasse a ti. Tu nos tornaste escória e refugo entre as nações.  (Lm 3.44-45)

 

(Mulheres) Todos os nossos inimigos escancaram a boca contra nós. Sofremos terror e ciladas, ruína e destruição. Rios de lágrimas correm dos meus olhos.   (Lm 3.46-48)

 

(Mulheres) Aqueles que, sem motivo, eram meus inimigos caçaram-me como a um passarinho.

Procuraram fazer minha vida acabar na cova e me jogaram pedras; As águas me encobriram a cabeça, e cheguei a pensar que o fim de tudo tinha chegado. (Lm. 3.52-54)

 

(TODOS) Por isso não me calo; Na aflição do meu espírito desabafarei, Na amargura da minha alma farei as minhas queixas.(Jó 7.11) 

 

(Homens) A fidelidade e o amor desapareceram desta terra, como também o conhecimento de Deus. Só se veem maldição, mentira e assassinatos, roubo e mais roubo, adultério e mais adultério; Ultrapassam todos os limites! E o derramamento de sangue é constante. Por isso a terra pranteia, e todos os seus habitantes desfalecem.   (Os 4.1b-3a)

 

 

(TODOS) Por isso não me calo; Na aflição do meu espírito desabafarei, Na amargura da minha alma farei as minhas queixas.

 

 

(Mulheres) Assim me deram meses de ilusão, e noites de desgraça me foram destinadas.

Quando me deito, fico pensando: Quanto vai demorar, para eu me levantar? A noite se arrasta, e eu fico me virando na cama até o amanhecer. Meu corpo está coberto de vermes e casacas de ferida, minha pele está rachada e vertendo pus.  (Jó 7:3-5)

 

 

(TODOS) Por isso não me calo; na aflição do meu espírito desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas.

 

(Diane) Minha vida só me dá desgosto; Por isso darei vazão à minha queixa e de alma amargurada me expressarei. Direi a Deus: Não me condenes; revela-me que acusação tem contra mim? Tens prazer em oprimir-me, em rejeitar a obra de tuas mãos, enquanto sorris para o plano dos ímpios?

(Jó 10.1-3)

 

Então, por que me fizeste sair do ventre? Eu preferia ter morrido antes que alguém pudesse ver-me. Se tão-somente eu jamais tivesse existido, ou fosse levado direto do ventre para a sepultura!

(Jó 10.18-19)

 

(TODOS) Por isso não me calo; na aflição do meu espírito desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas.

 

(Mulheres) Meus olhos choram sem parar, sem nenhum descanso até que o Senhor contemple dos céus e veja. (Lm 3.49-50)

 

(Todos) Lembra-te, Senhor, do que tem acontecido conosco; olha e vê nossa desgraça.

(Lm 5.1) 

 

 

(Homens) Todo o meu ser estremece. Até quando, Senhor, até quando? Volta-te, Senhor, e livra-me; me salva por causa do teu amor leal. (Sl 6.3-4)

 

(Todos) Lembra-te, Senhor, do que tem acontecido conosco; olha e vê nossa desgraça.

 

 

(Diane) Por que motivo então te esqueceria de nós? Por que haverias de desamparar-nos por tanto tempo? Restaura-nos para ti, Senhor, para que voltemos; renova os nossos dias como os de antigamente.   (Lm 5.20-21)

 

 

(Todos) Lembra-te, Senhor, do que tem acontecido conosco; olha e vê nossa desgraça.

 

 

(Diane) Na minha angústia, clamei ao Senhor; clamei ao meu Deus.   (2 Sam 22.7)

 

 

(Mulheres) Ouve a minha oração, Senhor; escuta o meu grito de socorro; não sejas indiferente ao meu lamento. (Sl 39.12)

 

(Mulheres) Ouve a minha oração, Senhor! Chegue a ti o meu grito de socorro! Não escondas de mim o teu rosto quando estou atribulado. Inclina para mim os teus ouvidos; quando eu clamar, responde-me depressa! (Sl 102.1-2)

 

 

(Homens) Ouve a minha voz quando clamo, ó Senhor; tem misericórdia de mim e responde-me.

A teu respeito diz o meu coração: busque a minha face! A tua face, Senhor, buscarei. Não escondas de mim a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu tens sido o meu ajudador.

Não me desampares nem me abandones, Ó Deus, meu salvador!  (Sl 27.7-9)

 

(Todos) Ouve a minha oração, Senhor, Ouve a minha oração, Senhor, Ouve a minha oração, Senhor.

Quando Jesus começou seu ministério público ele se levantou na sinagoga e leu do profeta Isaias e disse que parte daquilo que Ele veio fazer era “cuidar dos que estão com o coração quebrantado” e “consolar todos os que andam tristes”.  As Escrituras também dizem que ele carregou nossos lutos e levou nossas tristezas. Isto significa que nunca encontraremos qualquer luto, nosso ou dos outros que Ele não carregou. Ele é nosso Grande Consolador. Ele é o perito e especialista na tristeza e almeja que trazemos para Ele nossos corações perturbados enquanto vivemos neste mundo conturbado. Ele mesmo carregou em Si mesmo as tristezas de alma. Ele mesmo carregou em Si mesmo um corpo esmagado. Ele diz para nós, “Venham. Venham a Mim.” É como uma mãe amorosa diria para seu filinho, “venha, filho. Venha a mim.” Ele ouvirá seus lamentos e prantos, seus questionamentos, suas dúvidas e sua tristeza.

Todos nesta sala têm conhecido perdas – na morte, estupro ou outro trauma, no casamento, na guerra. Todos têm sido roubados pela morte de alguém ou alguma coisa que prezamos. Afligem-se, amados Brasileiros, afligem-se. Honrarem aqueles que estão de luto. Mas não se aflige como aqueles que não têm esperança. Jesus, Aquele que carrega aflições mostra o caminho da tristeza e Ele prometeu que um dia “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor... Aquele que estava assentado no trono disse: Estou fazendo novas todas as coisas’” (Apocalipse 21:4,5)

Por isso, meus amados e muitas vezes aflitos amigos Brasileiros, “Mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil.” (I Coríntios 15:58)

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