GAVS

 

GAVS

Vítima, Sobrevivente, Vencedor - Apoio prático no caminho da cura

Quando acontece o abuso sexual, algo do inferno irrompe a terra.

Pesquisas e estatísticas revelam cada vez mais a extensão de sofrimento devido a abuso e assaltos sexuais, inclusive de crianças na primeira infância, seja qual for o número verídico das vítimas, "UM" caso de abuso já é demais.

Se você "é" esse caso, sabe do que estou falando. Se você é amigo ou amiga, querendo entender melhor a luta de alguém, querido que se enquadra nesse caso este livro é para você.

Transformação de vida é possível. Deus nos criou com essa capacidade, de fazer novas escolhas, de mudar o nosso caminhar.

Vida plena - vida liberta, restaurada, alegre - é possível. Nós, que já andamos por esse caminho, somos testemunha disso. Nós também éramos vítimas.

Tínhamos o caminho de restauração apresentado neste livro e queremos agora ser parceiros de Jesus, para ajudar você.

Tome coragem, respire fundo e vire a página... 

Adorando a Deus no Deserto - Meditando 03/07/2013

Concede-nos, Senhor, 
a serenidade necessária para aceitar as coisas que 
não podemos modificar,
coragem para modificar aquela que podemos e
sabedoria para distinguir uma das outras. Amém.


Na recuperação (restauração), chega-se a um ponto em que precisamos enfrentar a nós próprios. Necessitamos reconhecer os erros cometidos e o mal que causamos. Exige-se coragem para se fazerem os preparativos necessários para permitir que Deus mude a nossa vida e nossos relacionamentos de maneira tal que sustente o processo de recuperação.

II Crônicas 15.1-19 - Bíblia de Estudo Despertar (pg 495)

EU SOU UM CIDADÃO DO CÉU

TEXTO: Colossenses 3.1-4 (NTLH) e (BV)

Vocês foram ressuscitados com Cristo. Portanto, ponham o seu interesse nas coisas que são do céu, onde Cristo está sentado ao lado direito de Deus. Pensem nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da terra. 
Porque vocês já morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo, que está unido com Deus. Cristo é a verdadeira vida de vocês, e, quando ele aparecer, vocês aparecerão com ele e tomarão parte na sua glória.

1 - JÁ QUE VOCÊS, por assim dizer, voltaram a viver novamente quando Cristo Se levantou dentre os mortos, ponham agora os seus olhos nos ricos tesouros e alegrias que esperam por vocês no céu, onde Cristo está sentado ao lado de Deus, no lugar de honra e de poder. 
2 -  Que o céu ocupe os pensamentos de vocês; não gastem o tempo preocupando-se com coisas daqui de baixo. 
3 -  Vocês devem ter tão pouco desejo deste mundo como uma pessoa morta. A verdadeira vida de vocês está no céu com Cristo e com Deus. 
4 - E quando Cristo, que é a nossa vida verdadeira, vier de novo, então vocês brilharão com Ele e participarão de todas as suas glórias.

OBSERVAÇÃO:

Quem é nascido de Deus não pertence mais a este mundo. Aqui não é mais nossa pátria. Eu nunca morei no exterior, já fiz algumas viagens para outros países, mas nunca morei por um período longo. Eu penso que o que Paulo está tentando nos comunicar aqui passa por isso.

Eu devo passar a sonhar com um lugar onde nunca estive, eu passo a desejar este lugar sem nunca ter visto uma foto, uma reportagem especial do Globo Repórter, sem nunca uma expedição do National Geographic ter ido lá. Mas eu começo a sentir que lá é o meu lugar. Eu já não me sinto à vontade com a língua, com a comida, com o modo de ser da gente aqui deste planeta. Eu quero ir para este outro lugar, pois em Cristo eu fui criado para lá.

Paulo usa três expressões, que estou tirando da versão da Bíblia Viva: “Ponham agora seus olhos nos ricos tesouros e alegrias que esperam por vocês no céu...”; “Que o céu ocupe os pensamentos de vocês...”; “A verdadeira vida de vocês está no céu...”.

PRÁTICA:

Se isto é verdade, e é a mais pura e cristalina verdade. Por que não ouvimos falar do céu? Por que o céu não faz parte do nosso imaginário evangélico. Por que tudo que falamos tem haver sobre como viver melhor neste mundo? Eu mesmo tenho pregado quase 100% de mensagens sobre como viver aqui na terra. Por que o céu perdeu a sua importância para nós?

Como cidadãos do céu, penso que isto se torna uma grande ofensa para Deus. Da mesma forma que tornaria uma ofensa para qualquer país enviar um embaixador para outra nação e este embaixador se apaixonar tanto pela nova nação que abandona sua cidadania para assumir uma nova nacionalidade.

Como cristão eu sou embaixador de Cristo aqui na terra. Eu represento os interesses e pensamentos da minha pátria celestial. Meu desejo deve ser preocupar-me com as coisas do meu país e envolver-me com aquilo que é interesse e desejo do meu país. Toda minha vida e história estão ligadas àquele povo e àquela gente.

ORAÇÃO:

Senhor. Hoje eu pude perceber uma grande falha em mim. Eu me apeguei demais a esta terra. Eu não sou daqui, eu não pertenço a este mundo, mas vivo como se daqui fosse. Não sinto saudades, não sinto desejos, não sinto ligação com minha verdadeira pátria que é o céu. Perdoa-me por esta traição à minha pátria, e me enche de alegria de pensar o que eu tenho aí à minha disposição. Tira de mim todo apego a esta vida. Em nome de Jesus.

 

Pr. Gedimar de Araújo.

 

Violetas Africanas

(História contada por Gary Oliver no IV Congresso Nacional do REVER)

 

Certo homem, ao visitar uma senhora deprimida, conheceu toda a majestosa mansão daquela irmã. Eram muitos cômodos, mas o homem conselheiro notou que todos eles estavam fechados, escuros, com ares sombrios e depressivos, havia uma grande tristeza imperando na casa, até que a senhora o levou a um quarto especial. Nele havia luz, água, alimento, tudo para criar um ambiente saudável para a coleção de violetas africanas daquela senhora. Eram plantas belíssimas, cheias de graça, que exigiam um cuidado especial e grande atenção por parte de todos os que as rodeavam. Perplexo, o homem virou-se para a senhora e exclamou:

-         Você não é uma boa cristã!

Curiosa, a mulher perguntou a razão daquele ataque, ao que o homem respondeu:

-         Se você fosse uma boa cristã, todas as vezes que recebesse os boletins da igreja, notaria ali notícias de pessoas que estavam doentes, pessoas que estavam aniversariando e até famílias tristes pela perda de um ente querido. Então você se lembraria dessa incrível coleção de violetas africanas e daria uma delas a essas pessoas, para alegrar-lhes mais os corações.

Quando alguém, perguntou a esse senhor porque ele, ao invés de buscar os motivos da depressão daquela senhora, preferiu gastar tempo falando daquelas plantinhas, ele explicou:

-         As violetas africanas eram o único sinal de vida naquela casa.

Por que se prender no que já estava morto se ainda havia coisas vivas para cuidar? Quando mencionávamos as palavras “violetas africanas” no congresso, todos sabiam que nos referíamos ao potencial interior de cada um, aos pequenos sinais de mudança, às virtudes internas nem sempre perceptíveis. O fato mais lindo foi perceber que cada um de nós, sem exceção, tem violetas africanas, e isso é nato.

Se pudéssemos sondar bem os nossos corações, sondar o suficiente, perceberíamos que bem no fundo habita Cristo em nós – esperança da glória. Por isso, somos mais santos que pecadores, temos virtudes bem mais que fardos. Isso é um grande mistério que não podemos deixar de admirar. Oh! Grande mistério! Oh glória!

Adorando a Deus no deserto

Adorando a Deus no Deserto

Iniciamos o culto com uma gloriosa passagem bíblica do livro de Apocalipse (21.1-5; 21:22-22.5).  Eu pedi este trecho para lembrarmos que existe um Paraíso aguardando-nos: um lugar onde Deus morará junto a nós e não existirá mais dor nem morte nem tristeza, aonde Ele enxugará todas as nossas lágrimas.

Mas esta hora de alegria virá num dia que só Deus possa determinar.  Por enquanto temos que viver aqui, onde há tanta dor e doença e tristeza de todos os tipos, que às vezes não sabemos como agüentar.  Como podemos encarar este sofrimento?  Como devemos reagir?

Parece-me que, dentro dos que se chamam cristãos, existem diversas perspectivas a respeito do tema de sofrimento.  A um lado, encontramos a negação, a idéia de que não pode ser a vontade de Deus que os seus filhos sofram—alias, devemos experimentar já a felicidade do céu aqui na terra.  Estas pessoas acreditam que, se tivermos suficiente fé, não devemos ser pobres, doentes ou tristes.  Em vez disso, Deus tem à nossa espera um carro zero, uma casa quitada e a cura de qualquer mal físico.

Do outro lado, encontramos a convicção de que sofrer é uma virtude que nos leva para mais perto de Deus e é uma prova de que merecemos salvação de nossos pecados.  Se Ele não nos der sofrimento adequado, devemos nos auto-flagelar, mantiver um relato de todos os sacrifícios que fazemos para mostrar para Deus na hora do juízo. . .  Dentro de nosso contexto, esta perspectiva entra em cena cada vez que pensamos que Deus “deve” algo para nós por conta do nível de sofrimento que agüentamos e os sacrifícios que fazemos para Ele.

Não pensem que estes dois pontos de vista sejam muito longe de nossa realidade.  Os dois baseiam-se numa arrogância que diz: “Eu sou o centro do universo.  Sou eu quem mando.  Se eu fizer isso, e não fizer aquilo, Deus estará na obrigação de agir desta ou doutra forma, me dar isto ou aquilo.  Se Deus é justo, é a minha visão de justiça que Ele tem que cumprir”.

A verdade bíblica é que o sofrimento—ou falta dele—não possui em si mesma virtude nenhuma.  Sofrer mais—ou menos—não nos garante nada no mundo espiritual.  O sofrimento é apenas a descrição do mundo desgraçado em que vivemos.  Paulo diz em Romanos 8 que toda a natureza geme como em dores de parto, esperando a redenção dos filhos de Deus.  Jesus disse, “Neste mundo vocês terão aflições” (João 16.33).  É o ambiente em que vivemos.  Algum dia conheceremos o novo céu e a nova terra, mas não chegamos lá ainda.

Enquanto estamos aqui nesta terra, às vezes Deus usa o sofrimento em nossas vidas como uma ferramenta para nos transformar, curar, purificar e podar.  Mas nem sempre conseguimos discernir o que está acontecendo na vida de outro irmão quando ele sofre.  A instrução mais nítida que temos a respeito do sofrimento não é que devamos criticar a espiritualidade ou caráter da pessoa que está sofrendo.  Diz simplesmente que devemos chorar com ela (Romanos 12.15).

Somos fracos, a vida muitas das vezes é dura, e precisamos do apoio um do outro.  Jesus, o “homem de dores e experimentado no sofrimento” (Is 53.3), se compadece de nós além do que conseguimos imaginar.  Ele também chora junto conosco.  O Espírito Santo intercede por nós “com gemidos inexprimíveis” (Ro 8.26).  Quando uma parte do corpo sofre, todos sofrem.  A igreja deve ser o lugar mais seguro do mundo, aonde podemos trazer as nossas angústias e, junto com os nossos irmãos, deixá-las ao pé da cruz.

Muitos choraram junto conosco no sofrimento da nossa filha Karis, e por isso sentimos uma profunda gratidão.  Acho que só no céu apreciaremos o real valor de suas orações.

Durante os dez anos que acompanhei o sofrimento da Karis em Pittsburgh, EUA, lutando para entender a perspectiva de Deus no meio dessa provação, Deus me chamou muito a atenção para o livro de Êxodo.  Lá temos a história do povo de Israel, escravizado no Egito, e como Deus operou maravilhas para libertá-los, prometendo para eles uma boa terra própria.

Deus poderia ter levado o povo direto para Canaã, dentro de um período de dias.  Mas em vez disso, Deus os levou para o deserto.  Por que será?  E por que Deus não leva o crente diretamente para a nossa terra prometida, o céu, uma vez que nós ficamos libertos de nossa escravidão ao pecado?

Quero mostrar para vocês sete tipos de deserto que eu identifico na história do Êxodo, que nos ajudam a ganhar uma perspectiva sobre o sofrimento, e como Deus pode usá-lo como uma ferramenta para nos amadurecer e nos transformar.

Primeira foto:  Os Pirâmides http://www.freenaturepictures.com/pictures/pyramid-and-sphinx-2.html

O primeiro deserto é o Deserto da Escravidão.  Igual o povo de Israel, lá nós somos vítimas.  Nossa sobrevivência depende de cumprir a vontade de outros, que pouco se preocupam com nosso bem-estar.  O dono deste deserto é o inimigo, aquele que só quer aproveitar de nós, roubando e estragando a nossa vida.  O que nos mantém presos neste deserto é o pecado, seja o nosso próprio pecado ou o pecado dos outros contra nós.  Este deserto pode, por um tempo, até parecer atraente e prazeroso, mas eventualmente a sua natureza verdadeira fica patente.  As emoções mais fortes experimentados neste deserto são angústia e desespero, amargura, raiva e impotência.

Vocês acham que seja a vontade de Deus que nós vivamos no Deserto da Escravidão?  Não, certamente não é.  Deus sempre se opõe à opressão, abuso e miséria.  Veja o que Deus disse a Moisés.  “Disse o Senhor: ‘De fato tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito, tenho escutado o seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo.  Por isso desci para livrá-los das mãos do egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa’” (Êx 3.7-8).

Se você se encontra escravizado pelo pecado, seja o seu próprio pecado ou pelo pecado dos outros contra você, tenho uma boa notícia:  Deus vê, se importa, e quer te libertar.  Ele pode operar maravilhas para tirar você do Deserto da Escravidão.  Foi para isso que Jesus sofreu na Cruz do Calvário.  Se este é o seu caso, vá conversar com um pastor ou com outra pessoa que você confia.  Você pode sair deste sofrimento ainda hoje.

Mas precisamos escapar do Deserto da Escravidão da maneira de Deus; não adianta achar que nós mesmos podemos ajeitar o escape de alguém.  Moisés tentou fazer isso e não deu nada certo.  Como jovem, Moisés viu o sofrimento do seu povo e ficou com raiva.  Um dia Moisés viu um egípcio espancar um escravo israelita.  Querendo solucionar o problema de seu próprio jeito, Moisés matou o egípcio e, para evitar a justiça, depois fugiu para o deserto.

Segunda foto:  O deserto http://www.freenaturepictures.com/pictures/white-outcrop.html

O segundo tipo de deserto, então, é o Deserto da Fuga.  Outros exemplos bíblicos deste deserto são a fuga de Davi da vingança do rei Saul em 1 Samuel 21-30 e a fuga de Elias da vingança da rainha Jezabel relatada em 1 Reis 19.  Se eu me encontre no Deserto da Fuga, é porque eu mesma entrei em pânico e me levei para lá, achando que não tive opção.  As condições precárias do deserto pareciam mais seguras do que ficar onde estava.  Justa ou injustamente, alguém está atrás que quer acabar comigo.  A emoção principal deste deserto é o medo.  Um alto nível de estresse leva ao esgotamento, humilhação e depressão.

Em nosso mundo, moças e moços fogem de lares disfuncionais para casamentos desastrosos, crianças fogem da violência doméstica para as ruas, adolescentes que se vêm sem muitas opções fogem para o mundo das drogas e adultos tentam escapar de sua dor através do embriagues.  Você provavelmente pode pensar em muitos outros exemplos.  O Deserto da Fuga, infelizmente, não é uma solução em longo prazo.  Ele gera tantos problemas próprios, que logo as pessoas têm que fugir novamente.

Moisés não tinha preparo nenhum para sobreviver no deserto.  Criado no palácio, como filho do rei, ele estava acostumado com luxo e riqueza, com servos para cumprir qualquer desejo que tivesse.  O que salvou a vida dele foi encontrar-se com um homem chamado Jetro, um homem experiente que acolheu Moisés e cuidou dele, ensinando-lhe as habilidades que precisava para morar no deserto.

Foto deserto: http://www.fotosearch.com/ICN001/f0002422/

O deserto do Jetro, eu chamo de Deserto de Acomodação.  Digo isso com todo o sentido positivo da palavra acomodar, que segundo o dicionário significa pôr em ordem, alojar, hospedar, adaptar, adequar.  Não sabemos como o Jetro chegou a morar no deserto.  Talvez a família dele houvesse morado em Midiã já por várias gerações.  Mas algumas coisas sabemos a respeito de Jetro.  Ele era sacerdote.  Os desafios da vida não tiraram dele a sua fé; pelo contrário, ele dedicava a vida para servir a Deus.  Era um homem hospitaleiro, flexível e generoso.  Era tão sábio que, muitos anos mais tarde, pôde dar conselhos muito valiosos para Moisés.  Para mim, o Jetro é um homem que se acomodou às dificuldades de sua vida de tal forma que pôde não só cuidar de si e de sua família no meio dos perigos e limitações do deserto, mas também abençoar o povo de Midiã no papel de sacerdote e oferecer para Moisés o abrigo e treinamento que ele tanto precisava.  Ele aceitou as condições difíceis de sua vida e criou o seu lar ali, um oásis no meio da sequidão.

Em nosso meio, temos várias pessoas que convivem há anos com problemas muito desafiadores e que não têm soluções aparentes, dentro do alcance delas.  Penso nas mulheres que têm maridos não-crentes, alguns deles alcoólatras.  Penso nos que lutam com doenças crônicas deficiências.  Conheço alguns com relacionamentos e problemas financeiros tão complexos que parecem não ter saída fácil.  Penso na nossa filha Karis, que teve lutas com a saúde a vida inteira.  E tantos outros . . .

A minha pergunta é como podemos ajudar uns aos outros a acomodarmos aos nossos desafios “permanentes e crônicos” ao modo do Jetro?  Eu acho que, igual Moisés, precisamos de pessoas que nos acolhem e nos dão apoio, pessoas com sabedoria que podem mostrar para nós como sobreviver neste deserto, pessoas pacientes com as nossas tentativas de acertar, que por experiência própria compreendem a dificuldade de nossa luta.

Foto flores do deserto : http://www.starrsites.com/desert/ph18012.htm

Companheiros que nos encorajam a não desistir, a continuar confiando em Deus, a perceber as flores que desabrocham com uma beleza singela no meio do deserto.

Eu sei que nós agüentamos o nosso deserto porque Deus nos proveu pessoas assim.  Muitos nos encorajaram e apoiaram através dos anos de nossa luta.  Sem vocês e outros que Deus nos deu, nem sei o que seria de nós e nem se a Karis tivesse mantido a sua fé e confiança em Deus.  Deus nos fez Corpo e nos cuida através do Corpo.  Só assim chegaremos a ter uma acomodação tão saudável às circunstâncias de nossas vidas que possamos não só cuidar de nós mesmos, mas também oferecer esperança, maturidade e experiência valiosa a outros membros do Corpo.

Foto Deserto: http://www.danheller.com/images/Africa/Morocco/Sahara/Slideshow/img28.html#img32

Moisés, pelo que parece, estava criando raízes em Midiã, a fim de morar lá pro resto de sua vida.  Ele casou com uma das sete filhas de Jetro, teve dois filhos e se dedicou ao pastoreio dos rebanhos de seu sogro.  Deus, porém, teve outros planos para Moisés, de pastorear não rebanhos, mas uma nação.  Deus transformou o Deserto de Acomodação num Deserto de Preparo para o ministério que Deus havia escolhido para ele.  Sob a tutela de Jetro, Moisés estava aprendendo tudo que precisaria para, mais tarde, cuidar não só de si e de sua família, mas de um povo de pelo menos um milhão de almas.  Além de inúmeras lições práticas de sobrevivência num ambiente hostil, através dos anos Deus pouco a pouco transformou o caráter de Moisés.  Ele perdeu a sua ambição egoísta, sua impaciência e a arrogância de um príncipe de Egito.  Alias, ele mais tarde seria descrito como o homem mais humilde da terra.  Que diferença!

O Deserto de Preparo fez parte da história também de Davi, de Elias, de Jeremias, de Paulo e de vários outros personagens bíblicos que passaram por ele.  Deus mandou até Jesus para este deserto para ser tentado por 40 dias.  Segundo o autor de Hebreus, “embora sendo Filho, Jesus aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu” (Hb 5.8).

Foto Deserto: http://www.danheller.com/images/Africa/Morocco/Sahara/Slideshow/img24.html#img28

A visão da sarça em chamas sinalizou o final do longo período de treinamento de Moisés às mãos de Jetro.  Moisés finalmente foi usado por Deus como instrumento para libertação de seu povo.  Com mão poderosa, Deus levou o seu povo a atravessar o Mar Vermelho para o quinto tipo de deserto, o Deserto do Resgate.  Que diferente do Deserto da Fuga!  Pois o Deserto do Resgate é um lugar de vitória e celebração.  O inimigo veio atrás, mas de forma espetacular, Deus o derrotou e libertou o seu povo.  O testemunho de Êx 14.31 é que “Israel viu o grande poder do Senhor contra os egípcios, temeu o Senhor e pôs nele a sua confiança.”  Moisés e Miriã cantaram louvores ao Senhor junto ao povo e Miriã pegou um tamborim e dançou com todas as mulheres, cantando “Cantem ao Senhor, pois triunfou gloriosamente” (Êx 15.21).

Quantos de vocês já experimentaram o Deserto do Resgate junto a um novo crente ou alguém curado por Deus de uma grande aflição?  É um lugar inédito, com emoções exuberantes.  Não existe nada igual.  Acho que é a experiência do Deserto do Resgate que mais motiva a equipe Rever a persistir neste ministério.  Acredito que os membros da equipe Rever se lembram de muitos casos de libertação miraculosa e a festa de celebração que compartilharam junto com o recém-emancipado.

Ó, se pudéssemos ficar no Deserto do Resgate!  Mas este deserto é só de passagem.  Ele não provê condições de sobrevivência.  É um lugar que fica na memória como um cheiro doce para alegrar o nosso coração, mas não podemos morar neste lugar.  Ainda não chegamos à terra prometida.  O Deserto do Resgate é apenas uma fragrância daquele sonho futuro.

Aqui voltamos a nossa pergunta inicial: Porque Deus não levou o seu povo diretamente do Egito para a Terra Prometida?  Porque ele não nos leva diretamente para o céu uma vez que confiemos em Jesus como nosso Salvador e Ele nos tire da nossa escravidão ao pecado?

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Veja no mapa que diferença!  Em vez de andar para o noroeste, circum-navegando uma pequena parte do Mar Mediterrâneo, Moisés, sob a liderança de Deus, levou o povo para o sudeste, diretamente para o Deserto da Provação.  E o povo ficou no Deserto da Provação por quase dois anos!  Por quê?

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Pense um pouco comigo do perfil do povo de Israel a esta altura.  Por múltiplas gerações, eles não conheciam nada a não ser escravidão; eram vítimas.  Eles não sabiam tomar conta de suas próprias vidas, fazer suas próprias decisões.  Não tinham limites saudáveis.  Na verdade, eram codependentes dos egípcios, que os escravizaram, mas também eram a sua única fonte de alimento e abrigo.  Os israelitas não tinham noção de como administrar a sua liberdade.  Igual Moisés quando fugiu do Egito, o povo precisava aprender como lidar com a vida sem ter tudo na mão.

O perfil de uma vítima não combina muito bem com a liberdade e a responsabilidade de organizar uma nova nação.  Logo, dentro de três dias de partirem de Egito, o povo começou a dar muito trabalho para Moisés, pois uma vítima:

  • dificilmente confia
  • dificilmente fica grato
  • dificilmente aceita amor, nem sabe amar
  • dificilmente assume responsabilidade por si mesmo
  • dificilmente se submete a autoridade legítima, MAS
  • facilmente cobra dos outros, murmura, reclama, briga e chora misérias!

O povo de Deus não estava preparado para morar na terra prometida.  Teriam sido alvos fáceis dos inimigos.  Não estavam organizados, não tinham liderança treinada, não sabiam tomar iniciativa própria, sem alguém mandando neles.  Deus usou as circunstâncias e relacionamentos difíceis do Deserto da Provação para podar, amadurecer, ensinar, confrontar e purificar o seu povo.  E faz o mesmo conosco.  Veja o que diz Deuteronômio 8 a respeito:  “Deus os conduziu por todo o caminho no deserto, para humilhá-los e pô-los à prova, a fim de conhecer suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não” (versículo 2).  “Assim como um homem disciplina o seu filho, da mesma forma o Senhor o seu Deus os disciplinou” (versículo 5).

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As condições do Deserto da Provação não são fáceis.  Podem nos tornar doces ou amargos; a escolha é nossa.  Eis alguns efeitos do deserto:

  • Leva-nos até o fim de nossos próprios recursos; humilha-nos.
  • Ensina-nos a depender de Deus, até para a sobrevivência (água, maná. . .)
  • Ensina-nos a obedecer a Deus, mesmo contra o nosso intuito.
  • Muda os nossos valores e prioridades.
  • Confronta-nos com nossas fraquezas, limitações, defeitos e vulnerabilidade.
  • Confronta-nos com a nossa mortalidade.
  • Pode nos levar à vontade de desistir, de voltar para a escravidão.

Mas também,

  • Descobrimos que a nós mesmos cabe escolher:
  1. Vou, ou não, confiar em Deus (o Deus que tanto glorifiquei no Deserto do Resgate)?
  2. Vou, ou não, obedecer a Deus?
  3. Vou, ou não, me submeter ao tratamento de Deus?
  4. Vou, ou não, adorar a Deus no deserto?
  • Experimentamos a fidelidade, o suprimento e a proteção de Deus.
  • Aprendemos a ouvir a voz de Deus.
  • Aprendemos lições espirituais e práticas; limites saudáveis.
  • Aprendemos o grande valor de sermos Povo de Deus, pois não andamos sozinhos por este deserto, nem podemos!
  • Aprendemos a chorar as nossas perdas, expressar as nossas dores, nos refugiar no colo de Deus e confiar no seu amor e compaixão.
  • Aprendemos a cultuar Deus, edificando para Ele um tabernáculo onde Ele se encontra conosco e onde oferecemos sacrifícios que O agradam, como o sacrifício vivo de nós mesmos (Rm 12.1-2) e os sacrifícios de louvor (Hb 13.15), de boas obras e de generosidade (Fp 2.17;Hb 13.16; 1 Pe 2.5-6).

Por dois anos Deus cuidou de seu povo no deserto, fazendo por eles o que não tinham condições de fazerem por si mesmos, ensinando-os a fazer o que podiam, guiando-os através de fogo à noite e uma nuvem de dia.  Por um ano inteiro o povo ficou acampado ao redor do Monte Sinaí, aprendendo as lições que Deus os instruía.  Finalmente, os levou para a fronteira da terra prometida e mandou Moisés enviar doze homens, um de cada tribo, para uma missão de reconhecimento de Canaã.  Até que em fim estava chegando o dia, o dia tão ansiado por tantas semanas e meses, o dia de entrar na terra prometida!

Mas vocês sabem o que aconteceu.  Só dois dos doze, Calebe e Josué, confiaram no poder de Deus para auxiliá-los a tomarem posse da terra.  Os outros dez se influenciaram mais pelo que conseguiram ver do que na promessa de Deus.  E o resultado de sua falta de fé foi desastroso: Deus resolveu não permitir ninguém daquela geração, exceto Calebe e Josué, conhecer a terra prometida.  Tiveram que rondar no deserto mais 38 anos, até que morressem todos daquela geração, de vinte anos para cima.

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Deus virou o Deserto de Provação num Deserto de Castigo, castigo que era conseqüência direta de sua falta de confiança em Deus, mesmo após dois anos de convivência com Ele.  Mesmo Moisés, fiel servo do Senhor, perdeu a bênção por causa de sua falta de confiança em Deus num momento crítico.  Moisés, o grande Moisés, amado por Deus, chamado o amigo de Deus, tentou por duas vezes fazer Deus mudar de mente quanto a este castigo, mas não teve êxito.

Que lição difícil para nós, você e eu!  Nunca nessa vida podemos nos achar acima da possibilidade de uma queda, com conseqüências terríveis para nós e para outros.

Deus teve um plano maravilhoso para o seu povo e investiu dois anos para que este plano se cumprisse.  Mas o plano não se cumpriu em suas vidas, por causa de sua desobediência e falta de confiança em Deus.  Eles perderam o “Plano A” para as suas vidas e tiveram que partir para o “Plano B”.

Nós também podemos perder o Plano A de Deus para as nossas vidas.  Talvez você pense que seja o seu caso, por causa de decisões erradas que tomou no passado.  Uma coisa me consola.  Mesmo seguindo o Plano B, Deus não abandonou o seu povo.  Ele continuou a cuidar deles.  Vou citar novamente Deuteronômio 8:  “Deus os conduziu pelo imenso e pavoroso deserto, por aquela terra seca e sem água, de serpentes e escorpiões venenosos.  Ele tirou água da rocha e os sustentou no deserto com maná.  As roupas não se gastaram e os pés não incharam durante esses quarenta anos”.

 

Foto Deserto: http://www.danheller.com/images/Africa/Morocco/Sahara/Slideshow/img20.html#img24

E mais: Deus fez do Deserto de Castigo, um Deserto de Preparo para a próxima geração, os filhos dos que tanto desapontaram a Deus.  Deus cumpriu a sua promessa, de dar ao seu povo a terra prometida.  Ele só teve que cumpri-la pelos filhos e não para a geração original.  Da mesma forma como Jetro havia treinado Moisés, Moisés agora treinou Josué e Calebe para assumir a liderança do povo.

Deus sempre cumpre as suas promessas.  Basta a nós decidir se nós mesmos vamos participar na bênção.  Mas mesmo quando tomamos a escolha errada, Deus ainda pode usar a nossa derrota para nos abençoar, ensinando-nos lições valiosas que podemos passar para frente para os nossos filhos.  Nós podemos rejeitar a sua graça, mas isso não limita o tamanho da graça que Deus tem para derramar sobre nós quando voltamos para Ele.

Você se identificou com um destes desertos?  Você se encontra no Deserto de Escravidão?  Deus pode libertá-lo, ainda hoje!

Você está no Deserto de Fuga, cheio de medo dos que vem atrás de você para lhe fazer mal, justa ou injustamente?  Você pode encontrar em Deus e no seu Corpo um refúgio, um lugar de proteção, que talvez se transforme num Deserto de Acomodação, aonde você pode aprender a lidar com os desafios particulares de sua vida, as coisas difíceis que não vão embora.  No tempo de Deus, este deserto pode virar um Deserto de Preparo para um ministério específico que Ele escolheu para você.

Talvez Ele queira que você coopere com Ele para ajudar a libertar vítimas de alguma escravidão, levando-os para celebrar noDeserto do Resgate e depois acompanhá-los no temível Deserto da Provação.  Talvez você seja a chave para que pessoas saiam vitoriosas, como Calebe e Josué, prontas para possuírem a sua terra prometida.

Mas mesmo que você faça uma escolha fatal contra Deus, perdendo a chance de cumprir o Plano A dele para a sua vida e precisando passar tempo no Deserto do Castigo, você ainda pode aprender a confiar em Deus, pois Ele nunca te abandonará.  Ele ainda anseia por um relacionamento íntimo contigo.  Você ainda pode adorá-lo no deserto.  Em todos estes desertos, Deus usa sofrimento como uma ferramenta para nos formar na imagem de Jesus.

Quero voltar para a sarça de chamas, aonde Deus se encontrou com Moisés para enviá-lo na sua missão de resgate.  Lá em Êxodo 3, Deus instrui Moisés a falar para o rei de Egito, “Deixe-nos fazer uma caminhada de três dias, adentrando o deserto, para oferecermos sacrifícios ao Senhor, o nosso Deus.”  Várias vezes nos próximos capítulos, esta frase se repete, pedindo do faraó liberdade para adorar a Deus no terceiro dia no deserto.

Outrora, eu pensava que este pedido era um tipo de manipulação, tentando convencer ao rei de maneira nem muito experto, de que deveria liberar o povo.  Certamente o rei não se enganou.  Ele sabia que Moisés estava propondo um escape total, não só uma festa religiosa de três dias.  Então porque faria Deus uma proposta destas?

Foto deserto: http://www.fotosearch.com/ICN211/f0009100/

Conforme tenho meditado neste enigma, tenho visto que, para Deus, era muito importante o conceito de adorá-lo no deserto.  Comecei a pensar, que acontece conosco com três dias de caminhada no deserto?  Estaria eu a fim de adorar a Deus após três dias de sequidão, com calor insuportável de dia e frieza à noite?  Certamente eu não poderia carregar água suficiente para me suprir por mais tempo do que isso.  Estaria chegando ao fim de meus próprios recursos: sedenta, cansada, havendo perdido o pique da emoção da libertação.  Estaria com saudade de minha própria cama, de tudo que me fosse familiar.  Estaria me perguntando se Deus realmente sabia o que estava fazendo comigo, pois as placas na estrada não estariam apontando a terra prometida.

É justamente nesta condição de montante desespero que temos que fazer a grande decisão: Vou, ou não, confiar em Deus?  É por isso, creio, que a nossa adoração em circunstâncias difíceis é tão preciosa para Deus.  É fácil louvar quando as coisas vão bem, não é?  Mas e quando se encontra contra a parede, sem solução fácil?

Foto Deserto: http://www.fotosearch.com/ICN001/f0002273/

Se olharmos para o relato do povo de Israel, foi no terceiro dia no deserto que eles chegaram a Mara, onde havia água, mas água amarga (veja Ex 15.22-26).  O povo reclamou, Moisés clamou a Deus e Ele sarou a água para que pudessem beber.  Parece-me que Deus foi muito paciente com o povo a esta altura, mas imaginem como teria sido aquela experiência para eles e para Deus, se ao invés de reclamar, o povo tivesse dito algo assim:

“Esta sede é terrível.  Cansei de andar, de suar, de ver somente areia por todos os lados.  Mas certamente Deus tem um plano para nos prover água.  Pois só três dias atrás, vimos o controle que Ele tem sobre água—Ele afastou as águas do Mar Vermelho para que todo este povo pudesse atravessar e depois fechou as águas em cima dos nossos inimigos.  Se ele pode fazer isso, ele pode cuidar de nós nesta situação também!  É só ter um pouco mais de paciência.  Venham, vamos louvá-lo!  Ele é bom, Ele nos ama, Ele se compadeceu de nós em nossa escravidão!  Ele é forte e poderoso, Ele é fiel...”

Que festa teria sido!  E teria estabelecido um modelo de confiança em Deus que serviria-lhes em todos os momentos difíceis vindouros!  Mas, já que partiram para a reclamação e para a dúvida, foi este o padrão que seguiram pela frente, com murmurações cada vez mais fortes.  Em vez de alegria e prazer, trouxeram angústia ao coração de Deus e muito prejuízo a si mesmos.

Foto deserto:  http://www.fotosearch.com/ICN001/f0000276/

Um dado interessante é que imediatamente depois desta experiência, somente sete km em frente, chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras.  Se tão somente pudessem ter tido um pouquinho de paciência e confiança em Deus, logo teriam visto o amplo suprimento de todas as suas necessidades!  Nunca posso saber, mas eu acho que se o povo tivesse louvado a Deus em vez de murmurar, poderiam ter se animado para andar aqueles sete quilômetros que faltavam para chegar às águas de Elim.

Quanta vez não é assim conosco também: chegamos ao ponto de desânimo e reclamação, quando Deus já tem preparado tudo que precisamos logo em frente.  Porque não podemos ver a resposta ainda, duvidamos de Deus e entramos em desespero.  A nossa visão é muito limitada.

Após o ano acampado ao redor de Monte Sinaí, os israelitas tiveram mais uma chance de adorar a Deus no terceiro dia.  Lemos sobre isso em Números 10.33-11.3.  Partiram do monte do Senhor e viajaram três dias.  Seria a hora do povo mostrar a confiança em Deus que teriam aprendido através de seu tempo no deserto.  Mas novamente, o povo começou a queixar-se das suas dificuldades aos ouvidos de Deus.  Ai, que decepção!  Após tanto investimento, tanto tempo ensinando-os, tanta afirmação da parte deles que iriam segui-lo, cumprir os seus mandamentos, confiar no Senhor.  Desta vez, Deus não foi paciente.  A ira dele acendeu-se contra eles.

De novo pergunto, como teria sido diferente a história dali para frente, se neste momento crítico o povo tivesse confiado e adorado a Deus?  Pois é só virar a página para deparar com o desastre, o momento em que o povo recusou-se de entrar na terra prometida e tomar posse dela.  Como poderia ter sido diferente, se eles tivessem adorado a Deus no deserto!

Outro fato me chama a atenção.  Voltando para Êxodo 3, lemos que a sarça em chamas estava no Monte Horebe, e disse Deus a Moisés, “Quando você tirar o povo do Egito, vocês prestarão culto a Deus neste monte” (v. 12).  É no capítulo 17 que encontramos o relato do povo chegando a Monte Horebe.  Novamente, lemos que o povo queixava-se.  O local onde Deus tinha marcado um encontro especial com o seu povo, acabou sendo um lugar de desgraça.  O texto diz, “Moisés chamou aquele lugar Massá e Meribá, porque ali os israelitas reclamaram e puseram o Senhor à prova, dizendo: ‘O Senhor está entre nós, ou não? ’” (v. 7).  Massá significa provação.  Meribá significa rebelião.  Deus proveu a água que precisavam, mas todos perderam a alegria do encontro antecipado por Deus.

Uma coisa que tenho aprendido quando estudo a Bíblia, é que muitas vezes, quando há uma ênfase de repetição, como recebe o conceito de adorar a Deus no deserto no terceiro dia, ele tem um significado muito além do que se encontra na situação atual.  Vale a pena pensar no resto da Palavra de Deus para ver se há alguma conexão.

**Linha de tempo**

Abraão       Moisés     Davi/Salomão   Zorobabel     Jesus      Nós

2000 a.C.   1500 a.C.    1000 a.C.         500 a.C.          +  |      2000

Volte comigo, então, 500 anos na cronologia bíblica, para Gênesis 22, quando Deus chama outro personagem para adorá-lo no deserto no terceiro dia.  Desta vez é Abraão.  Deus pede dele o sacrifício de seu filho Isaque no monte Moriá, TRÊS DIAS distante de seu lar.  Conhecemos a história, de como Deus supriu um carneiro como holocausto em lugar do Isaque no momento em que Abraão estava prestes para matá-lo.  Que alegria, que celebração no coração quando a fé que ele mantinha em Deus foi assim justificada!  Que adoração deve ter sido aquela de Abraão e Isaque quando foram libertos e supridos no terceiro dia daquela prova intensa.

Agora viajemos no tempo 1000 anos pela frente (pulando Moisés), para 1 Crônicas 21, que conta a história da punição de Deus sobre Israel por causa de um pecado cometido pelo rei Davi.  NO TERCEIRO DIA da praga, Davi foi instruído a construir um altar ao Senhor na eira de Araúna, o lugar de onde o anjo de Deus pairava, com a espada na mão, preste a assolar Jerusalém.  Davi obedeceu, oferecendo ali holocaustos e sacrifícios, e então a punição cessou.

Logo, em 2 Crônicas 3.1, lemos o seguinte:  “Então Salomão começou a construir o templo do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá, onde o Senhor havia aparecido a seu pai Davi, na eira de Araúna.”  Percebem o que Deus fez?!  O templo de Salomão, e 500 anos mais tarde o templo de Zorobabel,  foram construídos no mesmo lugar onde Deus havia suprido o carneiro para substituir o sacrifício de Isaque, mil anos antes.  E acho que vocês já sabem o que aconteceu neste mesmo local outro milênio na frente.  Sim, foi justamente lá que Jesus, o cordeiro imaculado, foi sacrificado uma vez por todas para remover o pecado do mundo.

Basta repetir: no mesmo local onde no terceiro dia Deus proveu um cordeiro para Abraão, Deus proveu o Cordeiro que tira o pecado do mundo.  Jesus, filho de Deus, teve que passar por três dias do mais intenso sofrimento jamais experimentado neste planeta.

A contagem destes três dias começa, não com a crucifixão, mas no Jardim de Getsemani na quinta-feira à noite, onde Jesus se entregou para obedecer à ordem de Deus.  Igual Abraão, a decisão crucial de obediência ao ordem de Deus foi tomada no início dos três dias.  Desta vez, porém, Deus não substituiu o sacrifício.  Jesus se ofereceu, uma vez por todas, “para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26).  “Pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, de uma vez por todas” (Hb 9.12).  No momento em que Jesus morreu a cortina no templo em Jerusalém que separava o povo do Santo dos Santos, o véu que representava a impenetrável barreira entre nós pecadores e o santo Deus, rasgou-se de cima para baixo.  “Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo” (Hb 10.20).

 Mas tudo isto—o Jardim de Getsemani, o julgamento, a crucifixão, a morte na cruz—era prefácio para o Grande Evento, o momento de maior celebração de todo o universo de todos os tempos, o momento no terceiro dia quando Jesus ressuscitou dentre os mortos.  Tentem imaginar a festa que houve no céu quando a morte foi destruída pela vitória!  Esta é a alegria que motivou Jesus a suportar a cruz.  Esta é a alegria que, por todos os séculos dos 2000 anos da era cristã, tem feito da Páscoa a maior festa de celebração de todo o ano na igreja de Jesus.  (Um dos meus sonhos é que toda a igreja brasileira venha juntar-se às igrejas de todo o mundo na celebração da Páscoa como momento inédito no calendário cristão.)

 Meus queridos, adorar a Deus no meio do deserto de nosso sofrimento, seja qual for a sua natureza, faz bem para nós mesmos.  Alegra o coração de Deus de uma forma profundamente rica.  Pois o nosso sacrifício de louvor nos ajunta com Abraão, celebrando com imensa gratidão o suprimento de Deus de um cordeiro no monte de Moriá, prefigurando o sacrifício de Deus de seu próprio filho no mesmo local 2000 anos mais tarde.  Ajunta-nos com Davi, oferecendo sacrifícios para desviar a ira de Deus.  Ajunta-nos com os sacrifícios oferecidos no templo de Deus em Jerusalém.  E ajunta-nos com os anjos do céu, celebrando a maior conquista de todo o tempo, a derrota da morte pelo amado filho do Pai, Jesus.  A nossa adoração expressa a nossa confiança na promessa de Jesus, que Ele virá outra vez, para levar-nos à terra prometida, o lugar que Ele preparou e reservou para cada um de nós, onde não haverá mais morte, nem doença, nem dor, nem tristeza.  O sofrimento que experimentamos neste mundo, é apenas um capítulo numa história muito maior, que tem um final profundamente feliz.  O sacrifício de nosso louvor antecipa este dia de reunião com o Amado de nossa alma.

 “Por isso não desanimamos.  Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa muito mais do que todos eles.  Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Co 4.17-18).

 Aleluia, aleluia.

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